Você que cresceu vendo SuperOnze e Capitão Tsubasa na RedeTV Kids, tenho certeza que ficou animado ao ver o anúncio deste jogo – mas mesmo divertido, Captain Tsubasa: World Fighters 2 conseguiu dividir minhas opiniões sobre seu conteúdo, principalmente no quesito preço. Vou comentar todos os detalhes nesta review!
Índice da review de Captain Tsubasa: World Fighters 2
Como Captain Tsubasa: World Fighters 2 foi executado no PS5?
Para os testes, Captain Tsubasa: World Fighters 2 foi executado da única maneira disponível no PS5, ao menos em sua versão Slim, que foi a que utilizei – o jogo não possui ajustes gráficos para favorecer qualidade ou taxa de quadros, nem suporte ao HDR o jogo traz, logo, há somente um modo gráfico, que tenta combinar resolução com taxa de quadros.
O console estava conectado a um monitor LG Ultragear de 24 polegadas com resolução 2560×1440, taxa de atualização de 144Hz, e suporte ao HDR10+. A parte sonora ficou exclusivamente nas caixas que possuo no quarto com dois alto-falantes emborrachados de 6 polegadas.

Desempenho no PlayStation 5
Captain Tsubasa: World Fighters 2 em termos de gameplay roda perfeitamente nos 60 quadros por segundo, porém, é fácil notar que o jogo dá umas engasgadas de vez em quando, ainda mais quando a tela enche de efeitos de seus dribles, mas não é nada que preocupe ou incomode, são quedas rápidas.
Não há modos gráficos e muito menos um modo de 120 quadros por segundo, o que é uma pena, pois seus gráficos de uma maneira geral, não parecem exigir muito do processamento geral do PlayStation 5.
Os loadings são rápidos, como se era de esperar em um console / equipamento com SSD, mas um ponto estranho são as cutscenes e seu framerate. As cutscenes rodam a 30 quadros por segundo e sem V-Sync, o que justifica a notória presença de cortes do meio da tela em diversas cenas.
As cutscenes pré-renderizadas, em animações – que cá entre nós, é a mesma coisa que ver o anime, isso sim é um ponto bem legal – sofrem com a falta de V-Sync, já as cutscenes in-game, por usar o motor gráfico puro, não aparentaram ter este problema.

Gráficos e ambientação que não impressionam muito
Quando falamos de um título exclusivo para a nona geração de consoles, a expectativa é sempre de um salto visual bem marcante. No entanto, Captain Tsubasa: World Fighters 2 entrega um resultado que, embora não seja “feio”, passa longe de impressionar. Se colocássemos o jogo rodando em um PlayStation 4, ele dificilmente teria problemas para ser executado.
Captain Tsubasa: World Fighters 2 vive uma dualidade perigosa. De um lado, temos o espetáculo visual dos efeitos de chute: quando os poderes estão carregados, a tela explode em cores e partículas que realmente remetem ao clímax do anime. É bonito sim.
Por outro lado, assim que a bola para de brilhar, o “encanto” quebra. Os estádios carecem de alma. A construção das arenas é simplória e a torcida é um dos pontos mais baixos da experiência, sendo formada por modelos estáticos que parecem feitos de papel, com pouca variação de cores e movimentos.

Entendemos que um jogo de futebol não precisa ser um carro alegórico, mas no PS5, esperava-se que a atmosfera do estádio fosse um diferencial imersivo, e não um detalhe negligenciado.
O design dos personagens segue estritamente o traço original da obra. No entanto, o tratamento dado aos NPCs, tanto do seu time quanto dos rivais, é basico. Falta “charme”, falta aquele polimento de iluminação e sombreamento que separa um jogo premium de um projeto apressado.
Outro problema técnico gritante de Captain Tsubasa: World Fighters 2 é o sincronismo labial. A movimentação da boca durante os diálogos é mecânica e robótica, quebrando totalmente a imersão nas cutscenes.
Embora utilize a Unreal Engine, Captain Tsubasa: World Fighters 2 não parece aproveitar os recursos avançados do motor, como iluminação global ou sistemas de partículas mais complexos para o ambiente.

A resolução interna do jogo não parece ser muito elevada, e sua solução de anti-serrilhamento, deixa tudo cintilando ao horizonte, principalmente em nossos personagens em determinados momentos, mas durante as partidas, não notamos isso por conta da rapidez do jogo.
A impressão que fica é que a escolha pela exclusividade na nova geração foi motivada mais por uma facilidade de desenvolvimento no motor da Epic do que por uma necessidade de poder bruto. Não é uma evolução em relação ao seu jogo anterior.
Uma gameplay divertida: mecânicas e detalhes
O coração de qualquer jogo baseado em anime é o quão divertido ele consegue ser ao traduzir o absurdo das telas para o controle. Em Captain Tsubasa: World Fighters 2, a diversão é o ponto mais alto, mas você precisa entrar no campo com a mentalidade certa: este não é, e nem tenta ser um EA Sports FC (FIFA) ou eFootball.
Embora você tenha liberdade para correr pelo gramado, a sensação de controle é nitidamente mecânica. A movimentação segue um padrão octogonal (baseada em 8 direções), o que passa a impressão de que o jogador está em uma espécie de “trilho” pré-definido.
Não espere a fluidez de 360 graus dos grandes simuladores, mas, curiosamente, isso não mata os dribles. É possível enganar a defesa, desde que você aceite o ritmo cadenciado do jogo, e é legal ver os NPCs tentando te acompanhar.

A jogabilidade brilha nos detalhes visuais da interface, que ditam o ritmo da disputa. Ao perder a posse, o jogo ativa uma linha azul que encurta conforme você persegue o oponente e ao pressionar o botão Triângulo (Δ) seu jogador executa carrinhos que, em um mundo normal, seriam expulsão direta. No universo de Tsubasa, esses “atropelamentos” são o combustível da adrenalina. Não é uma gameplay complexa, mas exige um pouco de atenção sim.
No entanto, fazer um gol em Captain Tsubasa: World Fighters 2 exige paciência e um pouco de cuidado:
- Linha Rosa: Você deve ficar de olho na linha rosa do adversário; se ela crescer demais, ele roubará a bola de você antes do chute;
- Gestão de Energia: Diferente de outros jogos, aqui você não faz o gol “na sorte”. O segredo é cansar o goleiro. Cada chute potente drena a barra de defesa dele. Quando ele está exausto, suas defesas falham e o gol é feito – ou você faz que nem eu na vida real, e chuta muito torto eheheh.
- Controle do Goleiro: Um detalhe tático legal é que o jogador pode controlar, mesmo que de maneira simples, a direção do salto do goleiro, adicionando uma camada de reflexo aos confrontos diretos.
O modo campanha segue a fórmula de sucesso estabelecida por seu antecessor, Captain Tsubasa: Rise of New Champions. A mecânica de RPG esportivo está de volta, já que você cria seu próprio avatar do zero, personalizando visuais e atributos.

A jornada é a clássica saga de superação: você começa nas categorias de base (Sub-20) e deve escalar cada degrau da hierarquia do futebol japonês até atingir o auge da carreira profissional internacional.
Sem localização para Português Brasileiro
Assim como vemos em outros jogos publicados pela Bandai, Captain Tsubasa: World Fighters 2, pelo menos até o momento, está sem uma localização para o Português Brasileiro, o que pode complicar para muitos jogadores que só querem jogar uma partida rápida sem ter que ficar traduzindo tudo mentalmente.
Isso não é um grande defeito, uma vez que um patch de correções pode trazer a localização, mas faz falta. Nosso futebol sempre foi um grande destaque mundial, e ver alguns termos específicos seria bem interessante.
O título possui suporte a idioma de voz a somente Japonês. Inglês, Francês, Italiano, Alemão, Espanhol (Espanha), Árabe, Espanhol (América Latina), Polonês, Chinês simplificado, Chinês tradicional, Japonês e Coreano ficam somente para textos.

O elefante na sala: seu preço nos consoles
Em relação a sua versão de PlayStation 5, temos um grande elefante na sala: seu preço absurdo. Captain Tsubasa: World Fighters 2 tem preço de estreia em sua edição base a partir de R$339,90; sua edição Deluxe chega por R$455,90; e sua versão Suprema / UItimate por impressionantes R$512,90.
R$512,90 é praticamente o valor da versão Ultimate de Grand Theft Auto VI. Este é o mesmo preço praticado na Nintendo E-Shop e XBOX Store, mas na Steam, é um pouco mais barato: R$253,50; R$337,90 e R$380,50 para cada versão respectivamente.
É um preço muito elevado em qualquer plataforma, principalmente nos consoles de mesa, o que desencoraja uma grande parcela de fãs a fazer tal investimento.

Visão geral e nota de Captain Tsubasa: World Fighters 2
Captain Tsubasa: World Fighters 2 não tenta reinventar nada, ponto. World Fighters 2 é um título divertido, eu que sou uma pedra em qualquer tipo de jogo de futebol consegui me divertir durante os testes, mas meu olhar crítico (e chato na maioria das vezes) não me deixa subir muito sua nota.
Sua gameplay consegue entreter, suas mecânicas, mesmo que possam transmitir uma sensação de travada, é fácil de entender depois de um tempinho, e passar carrinhos com efeitos doidos nos oponentes é legal. É possível jogar offline localmente com amigos, ou no modo online. No entanto, essa review focou exclusivamente no modo offline.
Seus gráficos são meu principal ponto de crítica – esquece os efeitos, isso tá ok – tem muito serrilhado no visual; os NPCs não possuem muita vida, bem como os estádios e o cenário e ambientação ao redor. Poxa vida, até a intro do jogo sofre com pop-in.
Sei que o foco não é ser um GTA 6 ou Red Dead Redemption 2 de futebol, mas por usar a Unreal Engine e ser exclusivo da nona geração e exigir uma NVIDIA GTX 1650 Super (4 GB) / AMD Radeon RX 5600 XT (6 GB) combinados com um Intel Core i5-10600K / AMD Ryzen 5-5600X… poderia ser melhor.
Sua trilha sonora é boa e lembra bastante o anime, e não repete muito, ainda mais que você pode ir fuçando os menus para ir ouvindo as melodias que desbloqueou durante seu progresso como um todo.
Vale o preço? Bom… em minha opinião, espere uma boa promoção, ou seja, no momento NÃO.
Depois de todos os testes, a nota para Captain Tsubasa: World Fighters 2 fica sendo 7,5: Divertido, mas esbarra no preço elevado e em gráficos que não impressionam.

Agradecemos ao pessoal da Bandai, TheoGames e Tamsoft pelo envio da key para a criação de nossos conteúdos.
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