É difícil colocar defeito na gestão da Capcom nos últimos anos. A franquia Resident Evil vive um dos melhores momentos, entregando uma quantidade de lançamentos de alta qualidade, o que ainda tem garantido fôlego financeiro para a empresa investir em novas IPs promissoras, como Pragmata.
No entanto, a companhia japonesa traçou uma meta que, dados os precedentes da indústria, gera um certo receio: lançar um novo jogo de Resident Evil todos os anos.
Os remakes de Resident Evil como o motor do calendário anual

A confirmação dessa estratégia veio através de Masachika Kawata, produtor da Capcom, em uma recente entrevista concedida à equipe da GameInformer. Nela, Kawata detalhou os ambiciosos planos da Capcom e como pretendem manter essa frequência de lançamentos sem sacrificar a qualidade.
“Produzir novos lançamentos de Resident Evil todos os anos é uma tarefa muito difícil e que exige muito trabalho. É por isso que poder revisitar jogos antigos através de remakes ajuda a Capcom a manter o objetivo de lançar um novo Resident Evil a cada ano. Isso permite que nossas equipes melhorem constantemente, e não quer dizer que um remake seja menos importante. Pelo contrário, eles são tão importantes quanto as entregas principais”, explicou Kawata.
O produtor também relacionou o sucesso comercial estrondoso dos remakes com a capacidade da empresa de assumir riscos. Basicamente, Resident Evil fornece à Capcom uma base econômica sólida e estável, garantindo a sobrevivência da saga ao mesmo tempo em que financia projetos totalmente inéditos.
No papel, a estratégia é perfeita. O perigo surge quando o calendário anual deixa de ser uma oportunidade orgânica e passa a ser uma obrigação corporativa.
O fantasma de Assassin’s Creed e Call of Duty

Prometer um jogo AAA por ano em uma era onde os custos e os ciclos de desenvolvimento bateram recordes históricos (chegando facilmente a 6 ou 8 anos) é remar contra a maré. O grande desafio da Capcom será provar que é possível sustentar esse calendário entregando produtos que respeitem o jogador, e não apenas para bater metas fiscais.
A indústria já viu esse filme antes, e nem sempre com um final feliz. Franquias como Assassin’s Creed tentaram manter modelos de lançamentos anuais ininterruptos.

Entre 2009 e 2015, a saga da Ubisoft teve um nível de atividade frenético, mas a fadiga do público forçou a empresa a pisar no freio. Hoje, os jogos da franquia chegam a cada dois ou três anos, e a própria Ubisoft parece estar tentando adotar a “fórmula Capcom” com o futuro remake de Black Flag.
O caso de Call of Duty é ainda mais emblemático. Desde 2005, a Activision não deixou passar um único ano sem um novo jogo da série, adotando um ritmo parecido com o de franquias esportivas como EA Sports FC e NBA 2K.

Embora continuem sendo monstros de vendas, uma grande parcela das comunidades aponta constantemente para o desgaste da fórmula, falta de inovação e campanhas prejudicadas por prazos apertados.
Resta saber qual será o destino de Resident Evil. A Capcom precisará eventualmente desacelerar como a Ubisoft? A franquia sofrerá com as mesmas críticas de desgaste que assombram Call of Duty? Ou a gigante japonesa conseguirá quebrar a maldição dos lançamentos anuais e manter seu padrão de excelência inabalável?
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Fonte: pcgamer







