A polêmica em torno do fim dos jogos em disco no PlayStation ganhou um novo capítulo: parte da comunidade recorreu à União Europeia na esperança de barrar a decisão da Sony, mas o bloco confirmou que não tem poder legal para interferir no caso.
Por que a União Europeia não pode agir contra a Sony

Segundo informações do Daily Fix da IGN, o Comissário Europeu para a Proteção do Consumidor explicou que a UE não pode intervir na decisão da Sony devido às “liberdades comerciais e contratuais” que regem esse tipo de escolha empresarial. Na prática, isso significa que abandonar a mídia física em 2028 não viola nenhuma legislação de país membro nem regras do próprio bloco europeu.
A resposta esfria as esperanças de parte dos fãs que vinham pressionando por vias institucionais, somando-se a outras tentativas recentes, como a petição por “não matar os discos” e os cancelamentos em massa do PS Plus, ambos já cobertos aqui no Portal Viciados.
O limite legal da União Europeia no mercado de games

O caso expõe um limite pouco discutido da regulação europeia: mesmo com legislações rígidas de proteção ao consumidor, como o Digital Markets Act e o Digital Services Act, decisões estratégicas de uma empresa sobre formato de distribuição de produto não se enquadram automaticamente como infração. A UE regula práticas como concorrência desleal, publicidade enganosa e proteção de dados, mas não tem mecanismo para obrigar uma fabricante a manter um modelo de negócio específico, desde que a mudança não fira contratos já firmados com o consumidor.
Isso deixa a decisão da Sony sobre o fim dos discos em uma zona cinzenta do ponto de vista jurídico: impopular, mas tecnicamente legal.
PlayStation | Indústria detona decisão da Sony de matar os jogos físicos no PS5!
O que diz o Procon-SP sobre o fim dos discos

No Brasil, o Procon-SP também se manifestou sobre a decisão da Sony. Em declaração enviada ao Voxel, a instituição afirmou que a mudança não apresenta irregularidades, mas ressaltou que a Sony precisa garantir que os direitos dos consumidores não sejam violados durante o processo de transição para o formato totalmente digital.
O posicionamento do Procon-SP segue a mesma linha do adotado pela União Europeia: nenhuma das duas instituições enxerga ilegalidade na decisão em si, mas ambas reforçam que a Sony tem a responsabilidade de conduzir a mudança sem prejudicar quem já investiu em jogos, assinaturas ou hardware pensando na compatibilidade com discos físicos.
O que isso significa para o consumidor brasileiro

Como o Brasil não faz parte da União Europeia, a decisão do bloco tem impacto mais simbólico do que prático por aqui. Mas com o Procon-SP adotando postura semelhante, fica claro que o caminho institucional brasileiro deve seguir o mesmo padrão: sem poder de veto sobre a estratégia da Sony, mas de olho na forma como a transição será conduzida.
Resta à comunidade de jogadores, no Brasil e no mundo, acompanhar se a pressão popular via redes sociais e petições vai gerar algum tipo de resposta oficial da Sony, mesmo que não seja uma reversão completa da estratégia.
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Fonte: IGN







