Entre 2010 e 2020, Sonic viveu um dos períodos mais controversos de sua história, conhecido por muitos fãs como a Era Sombria. Com jogos de recepção negativa, mudanças na personalidade dos personagens e histórias consideradas simplistas, a franquia da SEGA perdeu parte da identidade que a tornou tão marcante.
Diante desse histórico, Sonic Frontiers chegou com a difícil missão de reconquistar o público e mostrar que o ouriço azul ainda tinha potencial para voltar aos seus dias de glória. Mas será que o jogo foi realmente tão ruim como dizem ou representou o início de uma redenção para a franquia?
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Open Zone: a nova fórmula de gameplay

Diferentemente dos jogos anteriores, Sonic Frontiers apostou em uma nova fórmula de gameplay chamada Open Zone, criada para renovar a experiência do ouriço azul sem abandonar a velocidade característica da franquia.
Após as críticas a Sonic Forces, especialmente pela curta duração e pelo design das fases, a Sonic Team decidiu buscar novos caminhos em vez de insistir na fórmula Boost. Sob a direção criativa de Takashi Iizuka e a liderança de Morio Kishimoto no desenvolvimento, a proposta passou a combinar exploração, velocidade e elementos de plataforma em grandes áreas abertas, oferecendo mais liberdade ao jogador.
Embora seja frequentemente associado aos jogos de mundo aberto, Sonic Frontiers utiliza o conceito de Open Zone, com diferentes mapas que incentivam a exploração e permitem que Sonic atravesse cenários em alta velocidade. A mudança representou uma tentativa ambiciosa de reinventar a série.
Modo Combate

Um dos aspectos que mais se destacam em Sonic Frontiers é o sistema de combate, que oferece uma abordagem mais elaborada do que aquela vista em muitos jogos anteriores do ouriço azul.

Com uma árvore de habilidades que permite desbloquear novos golpes, combos e técnicas especiais, o jogador ganha mais liberdade para experimentar diferentes estratégias durante os confrontos.
A proposta lembra, em certos aspectos, Sonic Unleashed, especialmente pelas possibilidades de encadear ataques, mas aposta em comandos mais acessíveis e fáceis de memorizar. Além dos inimigos comuns espalhados pelas ilhas, o grande destaque fica por conta dos Guardiões, adversários que exigem abordagens específicas para serem derrotados. Enquanto alguns confrontos priorizam a esquiva e o tempo certo para contra-atacar, outros transformam a batalha em desafios de plataforma e velocidade, aproveitando as características únicas de Sonic.
Essa variedade ajuda a quebrar a rotina da exploração e demonstra como a Sonic Team procurou integrar as habilidades do personagem à estrutura das Open Zones, embora o ritmo e a complexidade dos combates possam variar bastante de um inimigo para outro.
Ciberespaço

Outro elemento importante de Sonic Frontiers é o Ciberespaço, uma série de fases digitais desbloqueadas por meio das engrenagens obtidas ao derrotar os Guardiões. Nessas áreas, Sonic revisita cenários clássicos como Green Hill, Chemical Plant e Sky Sanctuary, que representam memórias de suas aventuras anteriores, embora a reutilização desses ambientes possa transmitir uma sensação de déjà-vu para quem acompanha a franquia há anos.
A proposta combina trechos de velocidade com elementos de plataforma e fases que reaproveitam conceitos de jogos como Sonic Generations e Sonic Unleashed, além de apresentar cenários inéditos, como Eternal Highway, que inclui veículos militares da G.U.N.
Apesar de não serem o foco principal da exploração das ilhas, essas fases desempenham um papel importante na progressão da campanha: os jogadores podem cumprir objetivos como alcançar a linha de chegada, conquistar o tempo necessário para obter rank S, coletar anéis e encontrar todos os Anéis de Estrela Vermelha.
Completar esses desafios garante chaves utilizadas para desbloquear as Esmeraldas do Caos, essenciais para avançar na história. Assim, o Cyber Espaço recompensa quem domina suas mecânicas e busca explorar cada fase por completo, mas também evidencia uma das escolhas mais discutíveis de Sonic Frontiers: equilibrar a nostalgia dos cenários clássicos com a promessa de oferecer uma experiência renovada para a franquia.
A história de Sonic Frontiers

A narrativa de Sonic Frontiers também representa uma mudança importante para a franquia, especialmente com a participação de Ian Flynn, roteirista conhecido por seu trabalho nos quadrinhos de Sonic e Mega Man, que ajudou a trazer uma abordagem mais aprofundada ao universo do ouriço azul.
A aventura começa quando Sonic, Tails e Amy seguem para as Ilhas Starfall em busca das Esmeraldas do Caos, mas acabam separados após serem sugados por um buraco de minhoca, deixando Sonic sozinho para explorar a região. Durante a jornada, Sonic é guiado por uma voz misteriosa, posteriormente identificada como The End (O Fim), que tenta manipulá-lo ao fazê-lo acreditar que precisa romper as barreiras entre o mundo real e o ciberespaço. Na verdade, essa orientação faz parte de um plano para utilizar Sonic como instrumento para escapar de seu próprio selamento, transformando o mistério central da campanha em uma ameaça muito maior do que aparentava inicialmente.
O jogador também conhece Sage, uma inteligência artificial criada por Dr. Eggman, e descobre mais sobre os misteriosos Anciões e sua ligação com a tecnologia local.
Esses elementos também aparecem nos diferentes Ciberespaços, incluindo uma área especial dedicada ao Big the Cat, cuja presença representa uma memória de Sonic, reforçando o cuidado com detalhes e referências à história da franquia.

Nesse mesmo minigame, é possível encontrar 24 gravações de voz de Eggman que revelam suas descobertas sobre os Anciões, relembram seus antigos planos de dominação mundial e até mencionam a Maria Robotnik.
As gravações podem ser obtidas por meio do minigame de pesca do Big, utilizando as fichas conquistadas em troca de moedas roxas, oferecendo aos jogadores curiosos informações adicionais sobre os acontecimentos das Ilhas Starfall e o passado do universo de Sonic.
Desenvolvimento apressado

Apesar dos acertos na exploração, no combate e na narrativa, Sonic Frontiers apresenta problemas técnicos e decisões de design que prejudicam parte da experiência.
Um dos pontos mais criticados é o excesso de pop-ins, quando plataformas, trilhos e molas surgem repentinamente conforme Sonic se aproxima, dificultando a identificação de caminhos e tornando alguns trechos de plataforma confusos.
A física do personagem também limita a sensação de velocidade durante a exploração, enquanto a ausência de uma opção para avançar o horário pode obrigar o jogador a esperar para concluir determinadas atividades noturnas.

Esses problemas refletem os desafios enfrentados pela Sonic Team ao desenvolver uma fórmula inédita sob restrições de tempo, algo que também aparece na distribuição desigual de conteúdo entre as ilhas: Kronos oferece maior variedade, enquanto Rhea se concentra na narrativa e Ouranos reaproveita elementos de áreas anteriores.
Para completar, o confronto final adota uma proposta inspirada em jogos de tiro com perspectiva vertical, destoando das batalhas grandiosas contra os Guardiões e Titãs que marcam a aventura. Mesmo com ideias promissoras, Sonic Frontiers não conseguiu escapar de críticas relacionadas ao acabamento e à execução de suas mecânicas.
Os maiores acertos do jogo

Entre os maiores acertos de Sonic Frontiers está a forma como o jogo combina elementos de RPG com uma narrativa que recupera a profundidade emocional dos personagens da franquia.
Além de aprimorar os atributos de Sonic com sementes que aumentam seu ataque e defesa, o jogador pode coletar os adoráveis Kocos para melhorar sua velocidade e capacidade de carregar anéis, enquanto descobre detalhes sobre os antigos Anciões e seus destinos.
No entanto, o grande destaque está nas histórias secundárias de Amy, Knuckles e Tails, que utilizam os dilemas dos Kocos para desenvolver suas personalidades após anos de caracterizações que desagradaram parte dos fãs.
Na Ilha Kronos, Amy reflete sobre o amor e aprende que se importar com alguém não significa precisar estar sempre ao seu lado; na Ilha Ares, Knuckles questiona a responsabilidade de proteger sozinho a Esmeralda Mestre; e, na Ilha Chaos, Tails recupera a confiança em suas próprias capacidades ao conhecer personagens que persistem mesmo após fracassarem.
Sonic também demonstra mais maturidade ao respeitar as escolhas dos amigos, incentivando-os a seguir seus próprios caminhos sem desvalorizar a importância de pedir ajuda. Para completar, Frontiers humaniza figuras como Sage e Eggman, explorando uma relação mais complexa entre a inteligência artificial e seu criador.
Essa abordagem dá mais significado à exploração das ilhas e mostra que, além de renovar a jogabilidade, a Sonic Team também procurou recuperar o desenvolvimento dos personagens e os laços emocionais que ajudaram a tornar a franquia tão marcante.
Batalhas contra chefes

As batalhas contra os chefes ocupam um lugar especial ao transformar os confrontos em espetáculos de velocidade, ação e proporções épicas.
Diferentemente de muitos jogos anteriores da franquia, Sonic precisa reunir as sete Esmeraldas do Caos para enfrentar os gigantescos Titãs na forma Super, protagonizando lutas com coreografias cinematográficas que lembram os confrontos de animes como Dragon Ball.
Cada Titã apresenta uma batalha própria, acompanhada de trilhas sonoras de rock que elevam a intensidade dos combates, com participações de artistas como Kellin Quinn, da banda Sleeping With Sirens, Tyler Smyth e Merry Kirk-Holmes.
O resultado é uma experiência que vai além da fórmula tradicional de acertar alguns ataques teleguiados até derrotar o chefe, valorizando a força de Super Sonic e criando momentos memoráveis. A proposta ganha ainda mais destaque no terceiro grande update, The Final Horizon, que introduz uma nova forma chamada Super Sonic 2 durante o confronto contra The End, ampliando o espetáculo visual da batalha final.

Embora a transformação Hiper Sonic tenha sido considerada por Ian Flynn durante o desenvolvimento, a ideia não foi adiante, mantendo o foco na forma Super já estabelecida na série.
Ainda assim, a combinação entre combates grandiosos, desafios próprios e músicas marcantes faz das batalhas contra os Titãs um dos elementos mais ambiciosos do jogo, especialmente para quem sempre esperou ver o ouriço azul protagonizar confrontos com uma escala ainda maior.
Conclusão

Sonic Frontiers representa um passo importante para o futuro da franquia. A fórmula Open Zone demonstrou potencial para renovar a experiência do ouriço azul, abrindo espaço para melhorias que também podem ser observadas em Sonic X Shadow Generations e em possíveis sequências.

O sucesso comercial reforça essa percepção: o jogo ultrapassou a marca de 5 milhões de cópias vendidas, segundo números divulgados pela SEGA, superando as expectativas da própria empresa e consolidando a nova direção da série.

Mais do que reinventar a jogabilidade, Sonic Frontiers recuperou elementos importantes da identidade de Sonic, como suas aventuras épicas, os vínculos entre os personagens e batalhas grandiosas acompanhadas de trilhas sonoras marcantes.
No fim, o jogo não é perfeito, mas demonstra que Sonic ainda tem espaço para evoluir, e seu impacto pode representar o início de uma nova fase para o mascote da SEGA, que continua contando com uma comunidade apaixonada mesmo após anos de altos e baixos.
Muito obrigado à SEGA pela cedência da key para a elaboração desta review!
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