Review: A Investigação Póstuma e sua estética noir das histórias de Machado de Assis no PC

Rio de Janeiro... 1937... quem é o responsável pela morte de Brás Cubas? A Investigação Póstuma fará você viajar à literatura machadiana!

Por:
Rafael Vieira - Redator do Portal Viciados
A Investigacao Postuma PC Review Steam Rafael Portal Viciados Rio de Janeiro 1937
9 Lindo! Traz à tona a literatura machadiana em um game de mistério!
A Investigação Póstuma

Em meio a tantos lançamentos, chegou a hora de darmos a devida atenção ao nosso mercado nacional de games e conferir A Investigação Póstuma – um game baseado nas obras de Machado de Assis, um dos maiores nomes da literatura brasileira. Será que está realmente bom?

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AVISO: Essa análise não contará elementos específicos do enredo!

Como A Investigação Póstuma foi executado no PC?

Para testar A Investigação Póstuma utilizei um computador equipado com um CPU AMD Ryzen 7 5700G de 8 núcleos e 16 threads; 32GB de RAM DDR4 operando a 3200MHz; uma AMD Radeon RX 7600 de 8GB GDDR6 da XFX, com o detalhe do jogo estar instalado no SSD – e o desempenho foi quase perfeito, mas quase perfeito mesmo, eu vou comentar sobre na parte de desempenho em si.

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Review: A Investigação Póstuma e sua estética noir das histórias de Machado de Assis no PC

Além disso, por ser um hardware um tanto quanto overkill para A Investigação Póstuma, já que seus requisitos são bem leves, testei em meu notebook, equipado com um Intel Core i5 8250U, de 4 núcleos e 8 threads; 20GB de RAM DDR4 operando em 2400MHz e uma NVIDIA GeForce MX130 de 2GB GDRR5 – que não é um notebook gamer, é mais voltado para produtividade, o jogo no notebook ficou instalado no HD, e os tempos de loadings foram satisfatórios mesmo em um hardware mais lento

Em ambos, foi um desempenho muito bom.

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E o desempenho no PC? Por que quase perfeito?

A Investigação Póstuma apresenta um desempenho praticamente impecável no PC. A única ressalva, que pode, inclusive, ser um caso isolado, fica por conta do VSync que, mesmo ativado nas configurações, não se mostra totalmente eficiente. Em alguns momentos, é possível notar leves ocorrências de screen tearing, mas nada que comprometa ou incomode a experiência pelas ruas do Rio de Janeiro.

Quando passamos a falar sobre a taxa de quadros, o jogo se adapta à frequência do monitor, seja ela de 60 Hz ou superior. Em meu desktop, o qual utilizo um monitor de 144 Hz, o desempenho se manteve estável em 144 FPS durante toda a jogatina. Já no notebook, rodando a 60 FPS, a experiência também se mostrou bastante satisfatória, mas aí o limite de quadros fica em 60 FPS.

Review: A Investigação Póstuma e sua estética noir das histórias de Machado de Assis no PC

Além disso, o título não apresenta elementos gráficos pesados que exijam muito do hardware, o que significa que a grande maioria dos computadores conseguirá rodá-lo com tranquilidade e ótima performance.

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Tanto que os requisitos do mesmo são bem leves, vamos relembrar:

Requisitos mínimos: A Investigação Póstuma

  • Sistema Operacional: Windows 7 (64 bits)
  • Processador: Multi-core de 1.8GHz ou melhor
  • Memória RAM: 4 GB
  • Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 760 ou equivalente
  • Armazenamento: 3 GB de espaço disponível

Requisitos Recomendados:

  • Sistema Operacional: Windows 10 (64 bits)
  • Processador: Multi-core 2.5GHz ou superior
  • Memória RAM: 8 GB
  • Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 1050 ou equivalente
  • Armazenamento: 3 GB de espaço disponível

Vale dizer que a GeForce GTX 760 é uma GPU de 25 de junho de 2013, de arquitetura Kepler, e possui o mesmo desempenho de uma GTX 1050 de 2GB, sendo somente 5% mais forte que uma GeForce GTX 950, então é bem tranquilo de rodar.

O notebook que utilizei possui uma GeForce MX130 de 2GB GDDR5, de arquitetura Maxwell ( a mesma da GTX 750 e 750Ti, ou os modelos de notebook da GTX 860, 950 e 960) e o desempenho dela é equivalente ao de uma GT 1030, e rodou perfeitamente.

Gráficos e estética noir

A Investigação Póstuma aposta em elementos que atiçam a imaginação de quem já mergulhou nas páginas de Memórias Póstumas de Brás Cubas. O visual noir em preto e branco remete diretamente a ilustrações clássicas, como se cada cena tivesse sido retirada de um livro do próprio Machado de Assis.

A escolha pelos tons de cinza encaixou perfeitamente na atmosfera do Rio de Janeiro do final dos anos 30, trazendo um ar vintage carregado de muito mistério. Ao mesmo tempo, a estética intensifica a carga emocional da narrativa, colocando o jogador na intrigante busca por respostas sobre quem teria assassinado Brás Cubas.

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Todos os elementos de fala, com exceção da cutscene inicial, são marcados por balões de fala e por um português que mistura o coloquialismo (linguagem do dia a dia) com expressões referentes à época do livro e da estética do jogo, então é comum ver um português mais rebuscado e complexo ao primeiro entendimento, bem como no livro.

Mas tudo acaba se encaixando, e traz uma atmosfera misteriosa que combina com a escolha das cores. E falando nela…

A filosofia das cores em A Investigação Póstuma

A filosofia das cores em A Investigação Póstuma vai muito além de uma simples escolha bonita e estética. O uso predominante dos tons de cinza e do preto e branco conversa diretamente com a proposta narrativa do jogo: limitar as fronteiras entre tudo aquilo que tratamos como verdade e interpretação.

Ao optar por fugir das cores vibrantes tradicionais, o jogo convida o jogador a enxergar o mundo não como um objeto que garanta uma verdade, mas sim como algo mais relativo e subjetivo, assim como acontece na literatura de Machado de Assis. Os tons de cinza simbolizam essa ambiguidade moral e psicológica: não existe apenas o certo e o errado, mas uma escala complexa entre esses extremos.

Você não pode afirmar que tal pessoa matou Brás Cubas, sem ver a outra ponta da história, e mesmo assim pode fazer você voltar para o começo da sua busca.

Essa escolha também reforça todo o clima noir e investigativo. As sombras ganham protagonismo, escondendo detalhes, sugerindo pistas e criando tensão. A ausência de cor faz com que o olhar do jogador se concentre mais na composição das cenas, nos contrastes e nas expressões, intensificando a sensação de mistério.

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Além disso, o preto e branco traz um caráter quase literário, como se cada cenário fosse uma ilustração viva, assim como comentei logo acima. Isso aproxima ainda mais a experiência da leitura, criando uma ponte direta entre o jogo e obras como Memórias Póstumas de Brás Cubas.

No fim, os tons de cinza não são apenas uma identidade visual, são parte fundamental da narrativa, funcionando como uma linguagem silenciosa que reforça o mistério, a dúvida e a complexidade emocional da história.

Um português digno de época

A fim de se aproximar ainda mais da atmosfera literária de Machado de Assis, a equipe da Mother Gaia apostou em um português cuidadosamente elaborado, com construções mais rebuscadas e vocabulário que remete aos modos de fala do período retratado.

Os diálogos carregam traços de formalidade e ironia típicos da escrita machadiana, reforçando a autenticidade da narrativa e contribuindo para a imersão.

Não se trata apenas de estética textual, mas de uma escolha que ajuda a construir personagens mais críveis e alinhados ao contexto histórico, mas nada impossível de compreender.

Esse cuidado com a linguagem faz com que cada conversa soe quase como um trecho retirado de uma obra clássica, aproximando o jogador da experiência de leitura e fortalecendo a identidade do jogo.

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Mecânicas de gameplay

A Investigação Póstuma aposta em uma estrutura de gameplay baseada no estilo side-scroller, em que o jogador acompanha a ação a partir de uma perspectiva lateral, movimentando-se principalmente para a esquerda e para a direita enquanto o cenário vai se desenrolando na tela.

A movimentação é simples e bem funcional, permitindo alternar entre caminhar e correr conforme a necessidade, o que contribui para um ritmo mais controlado de exploração ou uma progressão mais ágil entre os objetivos no mapa. E o jogo é compatível com controles, o qual testei com um QRD Ferrox M5, que também já possui review no Portal Viciados.

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Os cenários são ricos em pontos de interação, como lixeiras, cartazes, construções, NPCs espalhados pelas ruas do Rio de Janeiro e até pontos de táxi. Cada um desses elementos oferece diálogos únicos, reforçando o caráter investigativo e incentivando o jogador a explorar cada detalhe do ambiente.

No entanto, um aspecto que pode se tornar um pouco repetitivo ao longo do tempo é a mecânica de loop temporal. Como parte central da proposta do jogo, ela leva o jogador a revisitar determinadas ações e situações, o que pode causar uma sensação de repetição em alguns momentos.

Ainda assim, essa característica está diretamente alinhada à narrativa e não chega a comprometer a experiência como um todo, mas contribui para a sensação de repetição.

Review: A Investigação Póstuma e sua estética noir das histórias de Machado de Assis no PC

Trilha e qualidade sonora

Para combinar ainda mais com a atmosfera de mistério, A Investigação Póstuma aposta em músicas com timbres mais suaves na maior parte do tempo, o que acalma o jogador enquanto só anda por aí.

No entanto, quando começamos as investigações, o jogo muda a proposta da trilha sonora para algo mais tenso e cadenciado, que vai se intensificando aos poucos, passando para o jogador a tensão naquele momento. Combinando perfeitamente com toda a atmosfera do game.

E na parte de qualidade, tudo é extremamente equilibrado, desde as músicas em si, que apresentam graves, médios e agudos na medida certa, sem nada ficar sobressaindo, nem mesmo os efeitos sonoros estão com qualidade ruim, tudo está redondinho.

Review: A Investigação Póstuma e sua estética noir das histórias de Machado de Assis no PC

Visão geral e nota: A Investigação Póstuma

De um modo geral, A Investigação Póstuma ajuda a manter viva a literatura machadiana, apresentando as obras de Machado de Assis para toda uma nova geração, e reapresentando de uma nova maneira para todos os fãs de carteirinha de sua literatura característica.

O desempenho no computador é surpreendentemente estável, não dropa os frames, a única crítica fica mesmo para a implementação do V-Sync que não está totalmente eficiente, e ainda é possível ver alguns cortes na imagem, mas nada que incomode diretamente, é que eu sou chato mesmo heehhe.

A gameplay é fluida e responsável, mas a mecânica de loop temporal pode ser um tanto quanto repetitiva para a maioria dos jogadores, porém carrega um charme único e segue toda a proposta do jogo. Sua trilha sonora encaixa perfeitamente com toda a atmosfera noir do final dos anos 30.

Logo, após todas as considerações, A Investigação Póstuma fica com uma nota 9: Lindo! Um game de investigação que traz à tona a essência da literatura machadiana!

Review: A Investigação Póstuma e sua estética noir das histórias de Machado de Assis no PC

Agradecemos ao pessoal da TheoGames e da CriticalLeap pelo envio da key para a elaboração de nossos conteúdos!

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Site Oficial

A Investigação Póstuma
Lindo! Traz à tona a literatura machadiana em um game de mistério! 9
Desempenho 9
Gráficos e estética noir 9
Gameplay 9
Trilha e qualidade sonora 9
Redator do Portal Viciados
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Rafael Vieira é Redator de Tecnologia e Games no Portal Viciados. Analista de Sistemas; desenvolvedor; cofundador da MSW Softworks e pós graduando em Segurança da Informação na PUCSP e PUCPR, Rafael combina paixão por jogos com conhecimento técnico profundo sobre software e hardware.Sua autoridade na comunidade é validada por sua atuação como Tradutor veterano no Grupo TraduMix / MixMods, uma das maiores referências em modificações de jogos no Brasil. Siga-o no Twitter/X [@rafyron] e Instagram [@rfayron_] para insights sobre desenvolvimento e cultura gamer.
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