Chegou a vez de experimentarmos um dos jogos mais aguardados para 2026 no PS5: Crimson Desert – será que o jogo da Pearl Abyss está realmente bom e é um forte candidato ao GOTY deste ano? É o que vamos discutir nesta análise, que abordarei os temas de maneira explicativa, mas sem enrolar muito, uma vez que o título é muito grande.
Índice da review de Crimson Desert
Como Crimson Desert foi executado no PS5?
Desta vez não irei comentar sobre qual modo utilizei neste tópico, ficará para o próximo. Mas Crimson Desert foi executado a partir do PS5 Slim conectado a um monitor LG Ultragear de 24 polegadas, com resolução 2K e taxa de atualização de 144Hz e com suporte ao HDR10 – vamos abordar sobre em um tópico separado!
A parte sonora ficou por conta de dois testes separados: com um headphone Sennheiser HD400S e das caixas de som que tenho no meu quarto – que conseguiram criar uma ambiência sonora boa mesmo sendo um sistema 2.0 de som.

Um desempenho um tanto quanto estranho…
Crimson Desert chegou ao PlayStation 5 com três modos gráficos distintos: Qualidade, Equilíbrio e Desempenho. De acordo com as especificações oficiais da Pearl Abyss, a proposta é a seguinte:
- Modo Desempenho: foco em 1080p nativo a 60 FPS estáveis
- Modo Equilibrado: resolução 4K via upscale via FSR 3 ou PSSR no PS5 Pro, com alvo de 40 FPS – ideal para telas de 120Hz
- Modo Qualidade: 4K nativo a 30 FPS, com Ray Tracing em nível alto (no PS5 Pro, elevado para Ultra)
Na prática, o desempenho é consistente e sólido, especialmente com o VSync ativado. O jogo mantém boa estabilidade, entregando 60 FPS no modo Desempenho, além de 40 e 30 FPS nos modos Equilibrado e Qualidade, respectivamente, sem que passe a sensação de que a imagem está engasgando.

As diferenças visuais entre os modos existem, mas são relativamente sutis, nada que seja muito visível durante a gameplay. Inclusive, para perceber melhor essas mudanças, comparações em vídeo acabam sendo mais eficazes do que imagens estáticas, assim como eu fiz e está no player logo abaixo:
São mudanças leves nas texturas, reflexos, iluminação, que só olhares mais atentos percebem – o melhor modo para jogar é o Equilibrado com VSync desligado.
No entanto, um dos principais pontos negativos de Crimson Desert está na qualidade final da imagem. Independentemente do modo escolhido, o jogo apresenta uma aparência borrada, resultando em uma nitidez abaixo do esperado.
Esse problema ganhou tanta repercussão que chegou até a própria Pearl Abyss. Antes mesmo de uma correção oficial, uma solução temporária sugerida foi desativar o suporte a 120Hz nas configurações do console. Porém, nos testes que realizei, essa mudança teve impacto mínimo, sem resolver de fato essa questão, antes da atualização nova chegar – comentarei sobre no tópico de gráficos.

Ao desativar o VSync, vemos um outro comportamento: o Modo Qualidade e Equilibrado passam a rodar por volta de 60 quadros por segundo, sem que haja uma redução significativa na qualidade gráfica geral – mas o Modo Desempenho passa a rodar na casa dos 80 quadros por segundo – porém, dependendo do seu monitor, o tearing é bem mais visível, pois o recurso para amenizar, está desligado, mesmo que aumente o desempeno como um todo.
Gráficos e qualidade geral
Em termos de gráficos, Crimson Desert consegue sim entregar uma experiência boa quando analisamos a fundo todos os elementos presentes no cenário e sua qualidade como um todo, o que mostra um bom nível da otimização da engine da Pearl.
Diversos pontos é possível notar um ótimo uso do Ray Tracing em sombras e iluminação – e realmente fica mais bonito, ainda mais em ambientes mais fechados, onde não há iluminação natural, permitindo com que a luz se disperse de uma forma mais realista. São pequenos detalhes que só reparamos com a atenção.
Todos os modos gráficos, até mesmo o de 60 quadros por segundo oferecem uma boa qualidade gráfica de um maneira geral, as principais diferenças ficam pela redução em alguns efeitos no ambiente, redução nas texturas e claro na resolução final do game, porém, assim como comentado, mesmo com uma recente atualização, o visual em termos de nitidez ainda precisa ser bem aprimorado.

Há a sensação de que o jogo está embaçado e borrado devido à implementação do FSR3 no PS5 Base – e mesmo ajustando o nível de desfoque nas configurações, ou a qualidade dos efeitos, ainda precisa passar por uma boa correção.
A atualização recente ajudou em alguma coisa?
A recente atualização conseguiu melhorar isso, ao permitir com que desative o modo de 120Hz nas configurações do próprio jogo, mas todo o borrão volta ao deixar essa opção ativa. Sem ela, ajuda bastante.
Desativando este recurso, todos os modos gráficos voltam a funcionar como a desenvolvedora prometeu, e o modo desempenho fica sim bem destoante dos demais – confira no vídeo logo abaixo:
Gráficos dos ambientes
Todos os ambientes possuem uma mescla de texturas em alta resolução e em baixa resolução ao mesmo tempo – é possível ver elementos como itens de madeira ou avisos em determinados locais com uma resolução baixa ou com modelos estranhos, como a cachoeira:

Durante o modo foto, se mirarmos para o chão, vemos ainda mais texturas em baixa resolução – e isso vai incomodar mais quem vai querer virar um fotógrafo profissional, mas é um ponto que era necessário comentar.
No entanto, não fica restrito ao modo foto, já que andando normalmente no mapa, principalmente ao ver paredes de blocos e tijolinhos, vemos uma grande distorção nas texturas, como se a borda da tela esticasse-as. Este efeito fica ainda mais acentuado quando estamos jogando em primeira pessoa – que a propósito, o personagem não tem corpo…

Mas de um modo geral, é um game que apresenta um visual bonito, principalmente em termos de paisagens ao longe, mas infelizmente não é nada extraordinário… bonito? Sim, bem bonito! Inovador? Nem tanto, diversos jogos já exploraram essa vertente.
Mundo aberto e exploração
Crimson Desert aposta em um mundo completamente vivo, por isso a constante comparação com Red Dead Redemption 2, em termos de dinamicidade dos cenários.
É comum vermos pássaros, gatos (e sim, dá para fazer carinho nos bichos) e cachorros pelas cidadezinhas, o que dá um charme a mais para o game, e mesmo que não sejam tão detalhados como Red Dead, Crimson Desert consegue apresentar um resultado muito bonito para os bichanos, dogos e o Mordecai do Apenas um Show…

Em áreas abertas, vemos que não há a presença de NPCs nas montanhas, somente às margens de rios – pescando seu alimento – em algumas casas isoladas do mapa, ou se é alguma missão específica, como a do começo do jogo, onde temos que seguir um NPC.
Você sempre pode buscar animais para fazer carinho, e até carregá-los; pescar com outros NPCs; se atirar de árvores só para ver onde você vai parar; ou só sair andando por aí pelo reino de Pywel.
Mas quando vamos para as cidadezinhas é que vemos a densidade populacional… são crianças, adultos, jovens, idosos… cada um com uma resposta diferente, bem como uma interação completamente diferente – é possível também encontrar mendigos nas cidades, que ficam sentados próximos a estabelecimentos movimentados, como tavernas, pedindo um dinheirinho para sobreviver.
Porém, algo que notei é que são poucos modelos de NPCs, a maioria começam a se repetir depois de um tempo, até há modelos parecidos com o Kliff, nosso protagonista.

Tirando este detalhe, são diversas atividades para fazer, diversos locais para explorar, e nisso, Crimson Desert consegue acertar muito, porque não se torna algo repetitivo, sempre há algo novo para fazer, um lugar novo para ver, e uma foto nova para ser tirada. Essa exploração toda pode fazer com que ache o enredo confuso, mas tudo se encontra no final.
E falando no modo foto…
Um triste modo foto…
Crimson Desert trouxe consigo um modo foto para que os fotógrafos de plantão brilhem! Porém, sua implementação não foi das melhores, visto que é muito, mas muito básico: não há controle de filtro, bordas, vinheta, logo, correções de cores, aumento de saturação, nada do que os jogos recentes vinham trazendo.
Neste você consegue apenas subir e descer a câmera, ajustar o foco e o brilho como um todo, mas não impede de tirar fotos bonitas em determinados ângulos aproveitando a iluminação da cena.
No entanto, é comum ver mais imperfeições do jogo neste modo. O modo foto de Crimson Desert ainda está em desenvolvimento, e por isso, conseguimos com facilidade entrar no chão, ver texturas bugadas, como essa por exemplo:

A imagem em si tá bonita, mas o chão parece um bolo de chocolate que não deu certo… e não é somente no modo foto, são erros que vemos ao andar em primeira pessoa no mapa por exemplo, assim como eu comentei no tópico dos gráficos. É um modo foto que pode e deve ser melhorado, pois o jogo conta com diversos cenários ricos em detalhes, que precisam ser fotografados na melhor qualidade possível.
Trocar os modos gráficos no menu impacta diretamente no resultado final da sua imagem, já que não há um segundo pós processamento de imagem neste modo, assim como em RIDE 6 por exemplo, que já tem review aqui no Portal Viciados.
Combate e suas mecânicas em gameplay
Se você está pensando que o combate é só sair descendo a lenha nos inimigos… está totalmente enganado, jovem padawan.
Crimson Desert é aquele tipo de jogo em que a estratégia vence a força bruta. Um bom timing de ataque e defesa faz muito mais diferença do que simplesmente apertar botões que nem doido.
O combate não é difícil de aprender, mas exige atenção constante. Em muitos momentos, ele lembra o que vimos em Ghost of Yotei, com foco em defender na hora certa e aproveitar as aberturas para atacar sem se expor a danos desnecessários.

Outro ponto importante é que o jogo frequentemente coloca o jogador contra múltiplos inimigos ao mesmo tempo, o que torna essencial controlar o campo de batalha, seja travando a mira com L1 ou mantendo consciência total do ambiente e da posição exata de seu inimigo alvo atual.
Atacar e recuar rapidamente vira uma estratégia fundamental, principalmente quando você não possui uma arma forte o suficiente para eliminar inimigos com facilidade e o sistema de combate funciona bem: R1 para ataques leves; R2 para golpes mais pesados e combinações que atingem múltiplos inimigos em uma determinada área (R1 + R2).
Essas ações são eficientes, mas consomem stamina, um recurso essencial que precisa ser gerenciado o tempo todo. Nesse sentido, o jogo lembra bastante títulos como The Witcher 3: Wild Hunt e The Elder Scrolls V: Skyrim, onde controlar vigor, esquivas e defesa é a chave para sobreviver. As habilidades do personagem podem ser aprimoradas, o que garante ainda mais força para o personagem, bem como uma resistência maior – aumentando seu vigor.
A preparação também faz parte da experiência. É importante manter itens de cura no inventário, que podem ser criados em pontos como fogueiras espalhadas por cidades e acampamentos, além de sempre buscar equipamentos melhores.
Veja o inventário no começo:

O inventário é generoso, permitindo coletar diversos itens sem a preocupação imediata de organização, diferente de jogos como Resident Evil 4. Equipar novas armaduras e itens especiais se torna essencial conforme o jogo avança, já que os desafios aumentam consideravelmente, seja pela força dos inimigos, mudanças climáticas ou novas mecânicas.
No geral, Crimson Desert acerta muito no combate, mas ainda assim, não é uma experiência tão acessível para quem não está acostumado com RPGs desse estilo, exigindo paciência e adaptação por parte do jogador.
Personagens e sincronismo labial
Este é um ponto curioso dentro do reino de Crimson Desert.
O jogo apresenta uma boa variedade de NPCs, com designs interessantes e papéis bem distribuídos ao longo da jornada, assim como comentamos no tópico do mundo aberto. Em termos de presença e construção de mundo, eles cumprem bem sua função, ajudando a dar vida ao universo do jogo.
Tanto que em certas partes do jogo é possível customizar o visual de seu personagem, o Kliff, o que mostra que a Pearl Abyss quis trazer diversos elementos de customização para dentro de Crimson Desert.
No entanto, um problema técnico acaba chamando atenção, especialmente durante as cutscenes: o sincronismo labial. Em diversos momentos, a movimentação da boca dos personagens não acompanha de forma natural as falas, o que acaba por criar uma leve desconexão entre o áudio e a animação, fazendo com que os diálogos pareçam estranhos ou até engessados.

Não chega a comprometer completamente a experiência, mas é algo perceptível, principalmente em cenas mais importantes, onde a imersão deveria ser maior.
Esse tipo de detalhe pode parecer pequeno, mas faz diferença na construção narrativa, já que impacta diretamente na credibilidade dos personagens e na forma como o jogador se conecta com eles.
Galeria de imagens do modo foto de Crimson Desert
Mesmo que o modo foto tenha suas limitações, e está passível de grandes mudanças, este tópico servirá como uma galeria das melhores fotos que eu consegui tirar durante a gameplay. Confira abaixo:
Uma boa trilha sonora
Crimson Desert aposta em uma trilha sonora dinâmica, que acompanha bem o ritmo da gameplay.
Durante os combates, a música ganha intensidade, com notas mais agressivas e marcantes, reforçando a sensação de perigo e deixando claro que aquele é um momento de total atenção no campo de batalha.
Por outro lado, o jogo também sabe desacelerar. Em momentos de exploração, seja caminhando pelo mapa ou circulando pelas cidadezinhas, a trilha assume um tom mais calmo e cinematográfico, trazendo uma sensação de leveza e respiro para o jogador.
Esse contraste funciona muito bem, pois evita que a experiência fique constantemente tensa ou cansativa. Em vez disso, Crimson Desert consegue equilibrar ação e tranquilidade, contribuindo diretamente para a imersão e o ritmo da jornada.

Qualidade sonora e localização
Já que falamos da trilha sonora em si, é importante destacar também a qualidade sonora de Crimson Desert como um todo.
O jogo entrega um áudio bem trabalhado, com efeitos limpos, bem definidos e que contribuem diretamente para a imersão. Cada elemento, desde o som dos passos, o impacto dos golpes, até os ruídos do ambiente, ajuda a construir uma experiência mais envolvente. Ainda mais que as notas são equilibradas e não há frequência sobrepondo a outra.
A ambiência do mundo aberto merece destaque especial. Todos os sons da natureza, movimentação em cidades e até pequenos detalhes do cenário criam uma sensação constante de vida ao redor do jogador, o que faz com que o mundo não pareça apenas um espaço vazio, mas sim um ambiente ativo e dinâmico.
No geral, a qualidade sonora de Crimson Desert é um dos pontos positivos do jogo, complementando muito bem a ambientação e elevando a sensação de imersão ao longo da experiência.
Em termos de dublagem, infelizmente não é dessa vez que veremos o game dublado em Português do Brasil – pelo menos é totalmente legendado, o que aumenta a acessibilidade como um todo, mas seria bem vinda uma dublagem, ao mesmo estilo de The Witcher 3 por exemplo.
Crimson Desert chegou com suporte a legendas em PT-BR; Inglês; Francês, Italiano e até mesmo Turco, mas somente com áudio em Inglês, Coreano e Chinês.

Visão geral e nota de Crimson Desert
Após toda a análise feita, posso chegar a conclusão de que Crimson Desert é um jogo que tem muito potencial, em todos os sentidos da palavra. É uma proposta muito ambiciosa, é um mundo aberto extremamente vivo – mesmo que seja comparado à Red Dead Redemption 2, são dois jogos com propostas distintas, não vamos levar em consideração este detalhe.
Porém, seu lançamento foi marcado por diversos problemas, que estão até agora no jogo se não fizer corretamente a configuração. Seus gráficos são bonitos, porém, caso queira aproveitar o modo de 120 quadros por segundo, terá que lidar com uma imagem final borrada devido a implementação do FSR3 que não está das melhores.
A recente atualização do Crimson Desert trouxe a opção de desativar este recurso dentro do próprio jogo, não forçando diretamente nas configurações do console. O VSync também está com problemas, durante meus testes somente o modo EQUILIBRADO não apresentou tearing, os demais todos apresentaram, e isso que o monitor que uso possui FreeSync Premium e estou utilizando o cabo HDMI original do PS5.
Além da imagem, algumas texturas precisam passar por um tratamento mais refinado – são detalhes que não atrapalham diretamente a experiência, mas estão lá e são visíveis.
Em termos de combate tudo é preciso e deve ser calculado, é fácil tomar dano por bobeira. A trilha sonora acompanha muito bem todas as cenas, mas a parte da sincronização labial também precisa de uma repaginada – são pequenos ajustes para melhorar a experiência final. É um forte candidato ao GOTY, mas no atual estado, não confio que Crimson Desert possa levar o prêmio para casa.

Após todos os testes, Crimson Desert fica com uma nota final de 8,5: Ambicioso, mas necessita de ajustes pontuais para realmente brilhar!
Agradecemos ao pessoal da Pearl Abyss e da TheoGames pelo envio da key de Crimson Desert para a elaboração de nossos conteúdos!
Confira também: Review de Marathon no PS5: O jogo está promissor ou ainda precisa de melhorias?
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Crimson Desert
| Lançamento | 19 de março de 2026 |
|---|---|
| Gênero | Aventura |
| Desenvolvedora | Pearl Abyss |
| Plataformas |












