Um dos jogos brasileiros mais clássicos dos anos 2000, Outlive, está de volta em sua versão remasterizada. Outlive 25 marca o retorno da Continuum Entertainment para o mercado brasileiro de games e para o próprio mercado de games em si. Será que a nova versão está boa? Testei e vamos comentar os principais pontos chave, nesta review de elementos técnicos.
Índice da review técnica de Outlive 25
Como Outlive 25 foi executado no PC? – Hardwares de testes

Para testar o Outlive 25 utilizei dois hardwares distintos e com performance bem diferente: o primeiro foi um computador desktop equipado com um AMD Ryzen 7 5700G de 8 núcleos e 16 threads; 32GB de RAM DDR4 operando na frequência de 3200MHz e em Dual Channel; uma AMD Radeon RX 7600 de 8GB GDDR6, sendo o modelo Founders / Referência da XFX; e o jogo foi instalado em um SSD Sata BX500 de 500GB da Crucial.
Além do desktop, utilizei um notebook equipado com um Intel Core i5 8250u (Oitava Geração) de 4 núcleos e 8 threads; 20GB de RAM DDR4 operando em 2400MHz também em Dual Channel; uma NVIDIA GeForce MX130 de 2GB GDDR5 – que equivale a uma GT 1030 GDDR5 em termos de desempenho bruto, mas que dá conta de alguns jogos.
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Diferente do desktop, no notebook o jogo foi instalado no HD, um Western Digital Blue de 1TB, que é somente para jogos, o sistema operacional, Windows 11 em ambos, está instalado em um SSD de 256GB da marca KingSpec (sim, comprei no Aliexpress quando SSD estava ainda mais caro no Brasil).
Desempenho remasterizado… em partes
O Outlive original, dos anos 2000, foi feito pensado nos hardwares da época. Em 2000, o que dominava os PCs, eram os Intel Pentium III (450 MHz a ~1.0 GHz); AMD Athlon (Thunderbird) e os recém chegados Intel Pentium 4 (NetBurst); fora que as máquinas possuíam em média de 128 a 256MB de SDRAM PC100/PC133 – as memórias DDR (Double Data Rate) só chegaram no final de 2001; e por GPU, NVIDIA GeForce2 GTS / MX, ATI Radeon DDR e 3DFx Voodoo 5.

Fora que foi uma época dominada por PCs equipados com monitores CRT, de resoluções na proporção 4:3 (como 1024×768), e sistemas operacionais Windows 98, Windows 2000 e Windows ME.
Caso tentássemos rodar o jogo antigo, utilizando o DXWrapper em computadores modernos, o resultado ficaria por volta dos 4000 FPS dependendo de sua configuração. No entanto, o cenário mudou um pouco o Outlive 25.
Veja um exemplo abaixo:

Quando colocamos na mesa o desempenho bruto do Outlive 25 nos deparamos com um cenário de limitação devido a alta utilização de apenas uma das threads do processador. A versão remasterizada está enviando alta carga de trabalho para uma thread, logo, se seu processador tiver um baixo poder de processamento por núcleo, o desempenho pode cair muito.
Pois bem, vamos aos testes:
Teste no desktop: 5700G / RX 7600 8GB / 32GB DDR4
Quando testei Outlive 25 na demo anterior, notei que o desempenho estava um tanto quanto “estranho” – como se tivesse algo segurando o desempenho do computador; mas agora, na versão de lançamento, notei que houve melhoras, mas ainda sim poderia ser um pouco a mais.
Não estou criticando o desempenho do jogo, Outlive 25 não é um jogo que você precisa de 500 FPS para rodar, mas por ser uma versão remasterizada, o título poderia usufruir das arquiteturas mais recentes dos computadores, com mais núcleos e threads, bem como performance aprimorada em multi-core.
Este meu Ryzen 7 não é um dos processadores mais fortes de sua linha, mas também como um todo não é muito fraco, a média de FPS ficou na casa dos 180 quadros por segundo, o que depende muito do zoom aplicado e do que está acontecendo na tela. Muitos efeitos ao mesmo tempo fazem com que os frames caiam muito drasticamente, mas não apresenta engasgos muito críticos.

Eu fiz um teste ao trocar a API de renderização por meio do DXVK, colocando a Vulkan para rodar, e o resultado foi praticamente o mesmo para não dizer pior em alguns cenários… mas valeu o teste.
Teste no notebook: i5 8250u / GeForce MX130 2GB / 20GB DDR4
Este foi um cenário de extrema variância. Este i5 é um modelo de baixo consumo de energia, logo, ao começar a esquentar, o clock diminui – para isso utilizei o ThrottleStop para evitar perda de desempenho, mesmo que esquente mais do que o o normal.
Então… o desempenho foi bom, mas inconsistente. Ao mesmo tempo que o jogo começou rodando a 68 quadros por segundo, pulou para 160 e depois caiu para 100 quadros, apenas mudando o ZOOM do mapa e indo para uma área com mais elementos no cenário. Aqui foi testado somente com o DirectX, não houve tentativas de mudanças de API gráficas.

Novamente, não estou condenando o jogo por essa flutuação de frames por segundo, é que o desempenho, por ser uma versão focada em computadores modernos, poderia ser um pouco mais consistente.
Entrevista com a Continuum Entertainment – gamescom latam 2025
Durante a minha visita à gamescom latam 2025, tive o prazer de conversar com Rodrigo Dal’Asta e Rafael Dolzan, onde durante as nossas conversas abordamos a questão da engine / motor gráfico utilizado no Outlive 25 e na versão original dos anos 2000.
A versão remasterizada, Outlive 25, em uma idealização e parceria com a Nuuvem e Steam, utilizará a base do mesmo motor, proporcionando nostalgia e elementos marcantes do título original de 2000.
Dá uma conferida na nossa entrevista:
Melhorias gráficas e mais novidades
Em termos de melhorias gráficas vemos logo de cara o suporte a resoluções maiores. Na época, assim como comentado no tópico de desempenho foi uma época dominada por PCs equipados com monitores CRT, de resoluções na proporção 4:3 (como 1024×768), e de proporção 16:10 – mesmo que seja comum até hoje.
Como meu monitor que utilizei para testes suporta até 2K – 2560×1440 – mas nativamente é 1080p, o Outlive 25 ficou em 1080p, mas não há a possibilidade de escolher a resolução por dentro de algum menu do game, o que fica de dica para implementarem no futuro, bem como o suporte a monitores ultrawide, que precisa de melhorias.
Além disso, dentro do game, é possível ativar ou desativar a filtragem de texturas e a alta definição. Caso optemos por desativar somente a filtragem de texturas, a mudança mais perceptível é quando damos muito zoom em alguma construção, nos construtores, e elementos do cenário, que passam a ficar um pouco menos nítido e com mais serrilhado – no entanto, ajuda a aumentar a taxa de quadros.

Agora, a mudança mais drástica fica por conta da opção de Alta Definição – ela tira todo o brilho do remaster, deixando o jogo como um todo com um aspecto borrado, como se aplicasse um filtro de desfoque gaussiano em cima do jogo inteiro.
Estas duas opções aparecem somente dentro das partidas, seja local ou online, mas não no menu principal do game.

Além disso, senti a falta de mais opções de vídeo como predefinições de gráficos; opções de limites de quadros e sincronização vertical – o que ajudaria a manter a taxa de quadros mais estável durante a gameplay em si.
Novamente, Outlive 25, com sua proposta de ser um remaster, para que mais pessoas possam conhecer o jogo e jogadores das antigas possam jogar novamente, está perfeito, mas como é uma review técnica, preciso comentar.
A fim de atrair novos públicos, recursos como o Save Automático durante as partidas, gravações de replays de suas jogadas, o modo online competitivo, e as campanhas clássicas remasterizadas, estão presentes aqui. Porém, o que não veio foi o Editor de Campanhas, que deve chegar na versão final do jogo, testei com uma key antecipada.

Cutscenes aprimoradas… mas 15 FPS?
Outlive 25 surpreendeu ao entregar cutscenes com uma resolução superior às originais, as quais estão próximas ao FULL HD, para ser mais exato estão em 1920×900, o que deu uma bela nitidez para a imagem, ficando bem bonito de se ver. A média de bits por segundo (bitrate) está em aproximadamente 21.1 Mb/s.

A qualidade do áudio também está bem limpa, mas vou comentar sobre no próximo tópico.
No entanto… uma coisa me chamou a atenção. Quando abri o jogo pela primeira vez, senti que as cutscenes estavam travando um pouco, mesmo o jogo mostrando 4000 FPS – o que obviamente era a Steam ficando maluca.
E de fato essa sensação é real, as cutscenes de Outlive 25, mesmo que estejam em uma resolução aprimorada e com mais nitidez, independente do seu hardware, elas estarão em somente 15 frames por segundo, o que passa essa sensação de engasgos e travamentos, já que um vídeo convencional geralmente fica na faixa de 23,976FPS – ajustado para 24 quadros – ou 29,97FPS – ajustado para 30 quadros, que é o padrão NTSC.

Qualidade sonora do remaster
Em termos de qualidade sonora, isso é um grande destaque para o Outlive 25. A nova versão do jogo passou por um belo trabalho de descompressão sonora – o que fez com que todos os efeitos: navegação nos menus, cutscenes, efeitos durante as partidas, ficassem com uma qualidade de áudio limpa, e com nenhuma nota atingindo a outra, não tem nada que seja muito agudo a ponto de incomodar, ou grave demais.
Pegue pelas cutscenes por exemplo, o áudio se encontra em 352kbps – o que representa uma alta fidelidade sonora; porém, um ponto que não entendi é que mesmo estando em qualidade alta, o vídeo é MONO, ou seja, somente um canal de áudio, nada de Estéreo ou Surround para as cutscenes, o que limita a sensação de espaço.

Além disso, o padrão de áudio está em FLAC a 22050Hz – o que mais uma vez representa uma boa fidelidade sonora, pois não apresenta nenhum tipo de perda de qualidade. FLAC é um formato de áudio mais pesado, mas de extrema qualidade.
Visão geral e nota de Outlive 25
O trabalho da Continuum em Outlive foi excepcional! Foi um dos primeiros grandes jogos brasileiros a ter reconhecimento mundial, ainda mais pela sua publicação no exterior pela Take-Two Interactive, a dona da Rockstar Games.
Com Outlive 25, seguindo a proposta de trazer o jogo para toda uma legião de fãs nostálgicos e apresentar o título de RTS para uma nova geração de jogadores, a Continuum acertou muito mesmo!
No entanto, é um remaster que poderia ter recebido um tratamento mais aprimorado antes de seu lançamento. Todos os pontos que comentei são passíveis de correções futuras, nenhum dos pontos condena o jogo – é Outlive em sua plena e bela essência. O desempenho é bom, mas poderia ter mais opções gráficas e de controles de quadros por segundo; o áudio é limpo e de alta qualidade, mas as cutscenes poderiam estar a pelo menos 30 quadros por segundo.
As campanhas e o modo online estão muito bons, é como revisitar o passado, porém, em computadores modernos e com bem mais desempenho. Dito isso, a nota final para o Outlive 25 fica sendo 8.6: Um clássico ressurgindo das cinzas, passível de melhorias futuras para brilhar ainda mais!

Agradecemos imensamente o apoio da Continuum em nossa entrevista no ano passado e a TheoGames e pelo envio da key para a elaboração de nossos conteúdos.
Confira também: Entrevista com a Continuum sobre Outlive: o AAA brasileiro publicado pela Take-Two, de GTA 6!
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Outlive 25
| Lançamento | 31 de dezembro de 2026 |
|---|---|
| Gênero | Estratégia, Estratégia em Tempo Real (RTS), Simulador |
| Desenvolvedora | Continuum Entertainment |
| Plataformas |








