Resident Evil Requiem traz finalmente a franquia de volta a Raccoon City em um dos capítulos mais emocionais dos últimos anos. Com Leon e a inédita Grace Ashcroft, o novo jogo da Capcom mistura terror psicológico, ação refinada e uma carga nostálgica pesada que promete dividir opiniões, mas passará dificilmente despercebido.
Após finalizar a campanha na versão de PC e explorar seu conteúdo adicional, fica claro que Resident Evil Requiem não é apenas mais uma sequência dentro da cronologia. Ele funciona como um reencontro com fantasmas antigos, tanto para os personagens quanto para os jogadores, e carrega a clara intenção de encerrar ciclos importantes dentro da franquia.
A grande questão é: ele consegue fazer isso com a força que promete?
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Índice da Review de Resident Evil Requiem (PC)
O peso do passado e o retorno a Raccoon City

Diferente de Resident Evil 7: Biohazard e Resident Evil Village, que centralizaram a experiência na perspectiva em primeira pessoa com Ethan Winters, Resident Evil Requiem opta por dividir sua narrativa entre dois protagonistas jogáveis: Leon S. Kennedy e Grace Ashcroft.
Grace, filha de Alyssa Ashcroft de Resident Evil Outbreak, assume boa parte do terror psicológico da campanha. Como agente do FBI, ela inicia sua jornada investigando um local diretamente ligado ao massacre em que sua mãe morreu. Esse ponto de partida estabelece imediatamente um conflito emocional forte e pessoal, dando peso à narrativa desde os primeiros minutos.
Leon retorna mais velho e experiente, carregando décadas de culpa desde os eventos de Resident Evil 2. Revisitar Raccoon City não é apenas uma questão geográfica. É uma revisitação emocional. Cada cenário ecoa memórias, cada corredor parece cobrar decisões passadas. E essa construção funciona absurdamente bem.
Duas perspectivas que definem o ritmo da experiência

A alternância entre Grace em primeira pessoa e Leon em terceira pessoa não é apenas estética. Ela define o ritmo do jogo.
Com Grace, a experiência é puramente survival horror. Ela treme, hesita, trava a voz e demonstra medo real. A tensão é constante. A escassez de recursos, as perseguições mais difíceis e a ambientação claustrofóbica remetem diretamente às seções mais opressivas de Village. O terror aqui não é apenas visual, ele é sensorial.
Leon, por outro lado, carrega o DNA de Resident Evil 4 Remake. O combate é mais técnico, fluido e agressivo. O parry foi refinado, as finalizações contextuais são mais dinâmicas e a nova mecânica do tomahawk adiciona estratégia ao gerenciamento de recursos, já que ele precisa ser afiado para continuar eficiente.
A interação com o cenário é um dos pontos mais impressionantes do sistema de combate. Leon utiliza paredes, objetos e até armas de inimigos de forma contextual, elevando a sensação de improviso e brutalidade. É, possivelmente, a evolução mais completa do sistema de combate da franquia até hoje.
Terror psicológico além do gore

O design dos inimigos é um dos grandes acertos de Requiem. Eles não são apenas zumbis genéricos. Muitos demonstram traços de consciência, repetem frases relacionadas às suas antigas profissões, pedem desculpas, cantam ou executam movimentos que remetem às suas rotinas antes da infecção.
Existe uma cantora que usa o próprio grito como ataque sônico. Faxineiros continuam tentando limpar corredores. Funcionários repetem falas antigas como se estivessem presos a um eco do passado.
Essa escolha adiciona uma camada psicológica desconfortável que vai muito além do gore. E sim, há muito gore. Mas ele não é gratuito. Ele reforça a brutalidade do novo vírus, uma mutação derivada do T-Virus que volta a conectar a trama à figura de Spencer e mantém coerência com a mitologia da série.
Fan-service com propósito

Resident Evil Requiem é uma carta de amor aos fãs, mas não de forma vazia. Explorar Raccoon City em ruínas e revisitar locais icônicos com referências diretas a Resident Evil 3: Nemesis e ao departamento de polícia do RE2 provoca uma sensação genuína de reencontro. Há fan-service em excesso? Sim. Mas ele é feito com respeito.
O peso da culpa de Leon, especialmente em relação aos oficiais mortos e às vítimas da cidade, é tratado com maturidade. Ele não é apenas o herói de ação que sobreviveu a tudo. Ele é alguém quebrado tentando aceitar o passado.
Grace funciona como espelho do Leon de 1998. A culpa, o desejo de salvar todos e o medo de falhar criam um paralelo narrativo inteligente e emocionalmente eficaz.
Construção narrativa e ausências sentidas

Grace é uma das melhores introduções de personagem da franquia em anos. Ela é humana, vulnerável e emocionalmente crível. Sua relação com Emily constrói momentos genuinamente tocantes que ajudam a equilibrar a brutalidade da campanha.
Leon é a alma do jogo. Mesmo com decisões questionáveis envolvendo seu rejuvenescimento visual, sua presença é essencial para que o tema central funcione: aceitar o passado para seguir em frente.
Os vilões são impactantes, o roteiro mantém tensão até o final e os plot twists são bem posicionados. Os flashbacks interativos quebram o ritmo tradicional e enriquecem a narrativa.
Entretanto, a ausência de Claire Redfield pesa. Para um jogo tão centrado em Raccoon City e no passado de Leon, sua falta é sentida. As menções sutis não compensam totalmente essa escolha.
Performance no PC e qualidade técnica

Rodamos o jogo com uma RX 6750 XT com 12 GB de VRAM em 4K com Ray Tracing ativo, e o desempenho foi surpreendente.
O DLSS 4 e o Ray Reconstruction garantem estabilidade visual impressionante. O Ray Tracing eleva iluminação e sombras a um nível cinematográfico. Houve pequenas quedas de FPS em áreas específicas, principalmente na transição de ambientes internos para externos no hospital, ARK e Raccoon City, mas nada que comprometesse a experiência.
A otimização geral é excelente. Relatos de usuários com placas NVIDIA indicam bom desempenho até com o uso exclusivo do Path Tracing, apesar de variações iniciais que parecem estar ligadas a ajustes de driver.
No geral, a versão de PC entrega a melhor forma de experimentar Requiem atualmente.
Duração e fator replay

A campanha principal dura entre 8 e 10 horas. Para um lançamento de preço cheio, pode soar curta.
Há incentivo para replay com novas dificuldades e desafios, como concluir a campanha em menos de 4 horas. No entanto, o modo difícil não estar disponível desde o início é uma decisão questionável, já que nem todo jogador deseja repetir a campanha múltiplas vezes.
Veredito: A evolução mais completa da franquia

Resident Evil Requiem é uma celebração do passado e um passo firme para o futuro da franquia. Ele equilibra ação e terror com segurança, respeita seus personagens e entrega uma evolução mecânica clara. Não é perfeito. Poderia ser mais longo e poderia explorar melhor alguns personagens históricos mostrados de forma apressada e sem peso.

Ainda assim, é um dos melhores capítulos modernos da série. Se essa for realmente a despedida definitiva de Leon em Raccoon City, foi uma despedida à altura da sua história.
Conteúdos do Portal Viciados de Resident Evil Requiem (2025)
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Agradecemos ao pessoal da TheoGames e Capcom pelo envio da key de Resident Evil Requiem para a criação de conteúdos e de nossa review!
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Resident Evil Requiem
| Lançamento | 27 de fevereiro de 2026 |
|---|---|
| Gênero | Aventura, Quebra-cabeças, Shooter |
| Desenvolvedora | Capcom |
| Plataformas |





