Após muitos rumores e vazamentos, chegou a hora da gente conferir como está o remake de Assassin’s Creed IV: Black Flag, o Assassin’s Creed Black Flag Resynced, em sua versão de PS5, onde irei comentar diversos aspectos técnicos e de gameplay desta nova versão do clássico da Ubisoft de 2013.
Índice da review de Assassin’s Creed Black Flag Resynced

Como Assassin’s Creed Black Flag Resynced foi executado no PS5?
Para a review, utilizei meu PS5 Slim para executar o Assassin’s Creed Black Flag Resynced. No modelo base do console, o título conta com 3 modos gráficos: Fidelidade, Equilíbrio e Desempenho – os quais testei cada um por um certo tempo e tecei comparativos, que serão exibidos posteriormente na matéria – mas a preferência foi pelo modo Equilíbrio. O jogo contém suporte ao HDR.
O console está conectado a um monitor LG Ultragear de 24 polegadas com 144Hz e suporte ao HDR10 – e no áudio, utilizei um headphone HD400S da Sennheiser, ligado diretamente no controle DualSense do PS5.
Vamos começar comentando sobre os modos gráficos e seus comparativos!

Fidelidade, equilíbrio ou desempenho?
Para este retorno, a Ubisoft oferece três configurações visuais distintas no PlayStation 5, cada uma com um custo e benefício claro para a experiência de jogo. Escolher como você quer ver o mundo de Edward Kenway depende muito do seu setup de imagem e da sua prioridade entre fluidez ou nitidez.
Modo fidelidade
Se o seu objetivo é contemplar o trabalho de reconstrução da Anvil Engine, o Modo Fidelidade é o mais completo para Assassin’s Creed Black Flag Resynced. Aqui, temos o Ray Tracing ativo em sua plenitude, o que transforma a interação da luz com a folhagem densa das selvas e o brilho do sol no oceano.
A resolução é travada em 4K e os 30 quadros por segundo são estáveis. É a opção ideal para quem não se importa com a cadência mais lenta em troca da imagem mais limpa e detalhada possível no console base da Sony.

Modo desempenho
Já para quem preza pela agilidade e respostas rápidas nos combates, o Modo Desempenho de Assassin’s Creed Black Flag Resynced entrega 60 FPS constantes. No entanto, as renúncias são generosas: notamos uma queda visível na resolução base e uma redução drástica em texturas, sombras e reflexos.
O Ray Tracing aqui torna-se quase inexistente, atuando, o que acredito ser de forma tímida apenas em pontos de iluminação específica. Os reflexos da água deixam de ser processados fisicamente para usar a técnica clássica de SSR (reflexos de espaço de tela), que perdem o brilho e sua intensidade quando o ângulo da câmera muda.
Além disso, o processamento de imagem resulta em um efeito de ghosting (vultos) devido ao método de upscaling e um antisserrilhado que pode deixar a imagem com serrotes mais evidentes em diversos pontos do cenário.

Modo equilíbrio: a minha recomendação (40 FPS / 120Hz)
O grande destaque técnico, e o modo que utilizei para a produção desta análise, é o Modo Equilíbrio. Destinado exclusivamente para jogadores que possuem telas de 120Hz (ou com suporte a VRR), ele crava o desempenho em 40 quadros por segundo.
Pode parecer pouco no papel, mas matematicamente os 40 FPS representam exatamente o meio do caminho no tempo de renderização entre os 30 e os 60 FPS, proporcionando uma suavidade muito próxima ao modo desempenho, mas sem abrir mão da qualidade gráfica.
Neste modo, o Ray Tracing permanece ativo e você mantém quase todas as regalias gráficas do modo fidelidade. A única diferença sensível é o uso de uma resolução dinâmica, que oscila levemente abaixo do 4K. Para mim, este é o equilíbrio perfeito entre a “beleza da nova geração” e a jogabilidade responsiva.

Gráficos e ambientação com Ray Tracing
Visualmente, Assassin’s Creed Black Flag Resynced é uma melhora considerável em relação à obra original de 2013. A nova versão da engine da Ubisoft entrega um Caribe vibrante, onde a direção de arte brilha ao equilibrar o realismo técnico com a estética ensolarada da pirataria, ou em alto mar, igual ao começo do jogo, ou em partes futuras no game.
O trabalho de textura e a complexidade dos modelos de personagens mostram que a desenvolvedora não apenas “limpou” o jogo, mas o reconstruiu para os padrões atuais.
A selva caribenha apresenta uma vegetação extremamente densa, com folhagens detalhadas que preenchem cada centímetro das ilhas. No entanto, é aqui que encontramos o primeiro “balde de água fria” na imersão: não existe física de colisão com as plantas.
Embora as plantas sejam volumosas, o personagem apenas as atravessa como se fossem hologramas. Não há aquele movimento de galhos se afastando ou grama sendo amassada com o peso de Edward, algo que já vemos em títulos de ponta da própria Ubisoft. Não é um problema, mas é importante comentar.
A iluminação é, sem dúvida, o ponto alto do jogo. Em qualquer um dos modos gráficos, o novo sistema de iluminação global traz uma vida inédita ao oceano e às construções coloniais, bem como as selvas densas.
No modo Fidelidade, todos os efeitos estão em sua intensidade máxima, criando cenários ainda mais bonitos.

Comparado ao jogo de 2013, o sistema de luz e sombra evoluiu de formas grandiosas, onde não há um aspecto cinza na imagem, o ray tracing consegue aplicar os efeitos de luz de maneira eficaz, mostrando que é um jogo de nova geração.
A Ubisoft confirmou que, para o PlayStation 5 Pro, o título utiliza o PSSR (PlayStation Spectral Super Resolution) para entregar um nível de nitidez ainda maior e reflexos via Ray Tracing mais complexos em tempo real, eliminando os poucos ruídos visuais do modelo base.
Os gráficos no PS5 base seguem uma proposta diferente do modelo Pro do console. Enquanto no modelo mais poderoso temos o Ray Tracing Extendido em todos os modos gráficos, no modelo base, o qual testei, temos o Modo Desempenho atuando com Ray Tracing Padrão, que possui apenas iluminação global, o RTGI – Ray Tracing Global Illumination.

Além disso, as cutscenes de um modo geral estão muito mais trabalhadas, elaboradas e bonitas, e as melhorias vão desde sombras, iluminações globais pelo cenário e até mesmo as expressões faciais dos personagens, bem como suas modelagens.
Veja abaixo um comparativo que fiz entre a versão de PS3, rodando diretamente do console, capturado pelo OBS no PC por meio de uma placa de captura, e a cutscene no PS5.
Veja como capturei o jogo no PC:

Veja o comparativo de Assassin’s Creed Black Flag Resynced com o Assassin’s Creed IV: Black Flag original no PS3 em uma cutscene:

Agora no PS5:

Vamos para mais uma comparação de Assassin’s Creed Black Flag Resynced com seu original.
PlayStation 5:

E agora no PS3:

Um sólido desempenho no PS5
A grande dúvida sobre um remake deste porte é sobre sua estabilidade. Felizmente, Assassin’s Creed Black Flag Resynced entrega um desempenho sólido no hardware da Sony. Desde os primeiros minutos de jogo, onde somos lançados em uma batalha naval intensa sob tempestade, até as caminhadas pelas movimentadas ruas de Havana, a experiência mantém uma fluidez notável.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced foi otimizado para não “engasgar”, evitando stutters mesmo quando a tela está repleta de elementos. No Modo Desempenho, os 60 FPS são praticamente constantes. É raro observar uma queda na taxa de quadros que prejudique o combate ou a navegação.
Porém, vale o lembrete técnico: como mencionei anteriormente, este é o modo que mais sacrifica a nitidez e o detalhamento para garantir os 60 quadros por segundo, sendo a escolha ideal para quem prioriza a resposta do controle acima da estética bruta.
Embora a densidade de personagens nas cidades seja muito superior ao título de 2013, o game é inteligente em sua renderização. Havana está viva e cheia de cidadãos realizando tarefas variadas, mas não espere o volume de NPCs de Assassin’s Creed Unity.
A Ubisoft optou por um caminho mais equilibrado, o que beneficia diretamente a estabilidade do FPS, permitindo que você corra pelos telhados ou entre em brutos combates de espada sem que o PS5 sinta o peso da cena.

Tempos de carregamento
Um dos maiores ganhos tecnológicos em relação à oitava geração são os tempos de carregamento, que aqui são extremamente rápidos. Sair do menu para o Caribe ou realizar uma viagem rápida entre ilhas leva apenas alguns segundos, algo vital em um mapa aberto.
Entretanto, nem tudo são flores. Assim como no jogo original, Assassin’s Creed Black Flag Resynced conta com um “Hub” onde podemos andar livremente em um mundo em renderização e é neste ponto que o desempenho deixa a desejar. Ao caminhar por esse ambiente, é perceptível que o motor gráfico sofre para carregar o mapa em tempo real, resultando em travamentos e quedas bruscas de frames em pontos específicos.
Mas como é passageiro, não atrapalha em nada.
Um detalhe importante sobre o funcionamento técnico e seus tempos de loading: o game não permite a troca de modos gráficos em tempo real. Toda vez que você decidir mudar da Fidelidade para o Desempenho (ou vice-versa), o jogo exige que você reinicie do último ponto de checagem.
Essa falta de uma transição dinâmica sugere que a engine ajusta variáveis profundas no carregamento inicial para sustentar a estabilidade que vemos no restante do título, sem que enfrentemos engasgos.

Elementos de gameplay e combate aprimorados
Assassin’s Creed Black Flag Resynced passou por uma evolução profunda em suas mecânicas básicas, aproximando os controles e a agilidade de Edward Kenway ao que vimos nos recentes Assassin’s Creed Mirage e Shadows. O resultado é uma jogabilidade mais responsiva e estratégica, que abandona aquela sensação “travada” de 2013 para abraçar a modernidade.
Uma das novidades mais robustas é a integração com o Animus Hub. Seguindo a tendência do “CoD HQ“, este centro unificado serve como a “casa” dos novos jogos da Ubisoft. O sistema permite que você mude para outros títulos da franquia que você possua sem precisar fechar o aplicativo e reiniciar o sistema, já que não temos o hub da Abstergo aqui.
O combate corpo a corpo recebeu a atualização que os fãs pediam há anos. Agora, a esquiva é fundamental: você precisa gerenciar o espaço para não perder vida rapidamente e saber aproveitar a função de travar a mira (Lock-on) em inimigos específicos, o que aumenta drasticamente a precisão dos golpes de Edward.
No campo da furtividade, o sistema continua brilhante. O uso do mato alto para abordagens silenciosas, o “assobio” para atrair guardas e a extração silenciosa de itens de missão permanecem satisfatórios, mas com animações muito mais ricas e orgânicas.
O parkour de Edward nunca esteve tão caprichado. Escalar os mastros do Gralha ou as igrejas de Havana está mais fluido, com movimentações suaves. E como um bom jogo de mundo aberto, Assassin’s Creed Black Flag Resynced está repleto de atividades:

- Canções: A clássica perseguição pelas partituras de músicas de marinheiro está de volta.
- Interações de Taverna: Você pode dar um tempo da pirataria para jogar Damas contra NPCs nas tavernas locais.
- Carinho no Doguinho (ou quase isso): Sim, você pode interagir com os animais das cidades!
Porém, nem tudo é perfeito, já que durante os testes, o primeiro contato com o melhor amigo do homem não foi dos melhores: ao tentar fazer carinho em um cachorro, o animal ficou completamente estático e o Edward executou uma animação “quebrada”, acariciando o ar. Alô, Ubisoft!
O que temos de novo? – SEM SPOILERS
Para os veteranos que já conhecem cada centímetro das Bahamas de 2013, Assassin’s Creed Black Flag Resynced traz incentivos reais para uma nova exploração que vai além de seus gráficos. O mapa caribenho foi expandido com a adição de ilhas inexploradas e baías secretas, muitas delas escondendo enigmas ambientais inéditos e naufrágios que oferecem um nível de desafio superior para o mergulho.
No que diz respeito à narrativa secundária, a equipe adicionou uma série de novas missões de Contrato de Assassino que não existiam no original; estas missões são focadas em preencher lacunas do passado de Edward e conectar sutilmente o herói a personagens que veríamos em jogos futuros da saga.
A vida no mar também recebeu atenção especial: a caça marinha foi revitalizada com o surgimento de espécies lendárias raras, exigindo estratégias mais precisas para a pesca com arpão.
Além disso, o sistema de customização do Gralha foi ampliado, permitindo ao jogador modificar detalhes funcionais na cabine de comando, novos tipos de armamentos frontais e um leque de cores e velas muito mais vasto, garantindo que o seu domínio sobre os mares seja não apenas técnico, mas também visualmente único no modo online do Animus Hub.

Modo foto
Este é um tópico rápido, mas Assassin’s Creed Black Flag Resynced possui um modo foto bem interessante, sendo uma das novas adições para o remake do clássico de 2013 da Ubisoft.
Neste podemos colocar molduras, filtros, ajustar o foco da câmera e muitos outros detalhes que os jogos mais recentes estão trazendo. Veja abaixo um exemplo de uma das fotos que tireo no game:

Qualidade sonora e de efeitos
A qualidade sonora foi um dos pontos que recebeu atenção minuciosa em Assassin’s Creed Black Flag Resynced . Você percebe o ranger da madeira dos navios em meio a tempestades e, principalmente, o peso ensurdecedor dos tiros de canhão, que agora utilizam o suporte ao Áudio 3D do PS5.
É impressionante como o som ajuda na localização tática; em meio a uma invasão de forte, você consegue identificar exatamente de onde vêm os gritos dos guardas ou os assovios das flechas cruzando o ar. Além disso, as clássicas canções de marujo parecem ter sido masterizadas para os sistemas de som modernos, aprimorando sua clareza.
Dublagem e localização
Para a felicidade da comunidade brasileira, Assassin’s Creed Black Flag Resynced mantém o altíssimo padrão de localização da franquia. O título conta com dublagem completa, menus e legendas em português brasileiro.
A interpretação dos personagens continua impecável, bem como de Edward, que transmite todo o sarcasmo e a evolução emocional do protagonista conforme ele se afasta do egoísmo da pirataria e entende o peso do credo.
As novas linhas de diálogo adicionadas nas missões inéditas foram gravadas com o mesmo elenco de vozes original (quando possível) ou com substitutos extremamente fiéis, mantendo a coesão sonora que o jogador brasileiro espera.

Visão geral e nota de Assassin’s Creed Black Flag Resynced
Assassin’s Creed Black Flag Resynced é a prova definitiva de que um remake, quando feito com carinho, pode superar a nostalgia e se tornar o novo padrão para uma obra-prima.
A Ubisoft conseguiu a proeza de modernizar (ainda bem que ficou bom) um dos jogos mais queridos da sua biblioteca, preservando a alma pirata de Edward Kenway enquanto aplicava tecnologias de 2026 que o transformam em um jogo totalmente novo aos olhos de quem joga no PlayStation 5.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced não se resume a gráficos novos. Ele traz um sistema de combate refinado, furtividade tática moderna, um mundo mais populado em Havana e acréscimos de conteúdo que garantem dezenas de horas extras no Caribe.
Embora problemas pontuais de física (como o atravessar da vegetação e o carinho bugado no doguinho) e instabilidades de carregamento no Hub ainda persistam, eles são meras distrações diante do espetáculo que ficou este remake mesmo no console base de nona geração da Sony.
De maneira geral, a Ubisoft trabalhou muito bem em Assassin’s Creed Black Flag Resynced, sem exagerar e sem deixar faltar nada, portanto sua nota final é um belo 9: Ambicioso, tecnicamente belíssimo. É a “ressincronização” perfeita para um herói que merecia voltar em grande estilo.

Agradecemos ao pessoal da Ubisoft Brasil pelo envio da key de Assassin’s Creed Black Flag Resynced para elaboração de nossos conteúdos!
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Assassin’s Creed Black Flag Resynced
| Lançamento | 9 de julho de 2026 |
|---|---|
| Gênero | Aventura |
| Desenvolvedora | Ubisoft Montreal |
| Plataformas |







