O ex-presidente da Sony Interactive Entertainment, Shuhei Yoshida, voltou a comentar os motivos que levaram ao encerramento da Japan Studio em 2021, estúdio responsável por títulos aclamados do PlayStation como The Last Guardian e Shadow of the Colossus. As novas declarações, feitas durante o Computer Entertainment Developers Conference de 2026, trazem mais detalhes sobre uma decisão que segue sendo questionada por parte da comunidade há quase cinco anos.
O que Yoshida disse sobre o fechamento da Japan Studio

Durante o evento, Yoshida reconheceu que a Japan Studio “lançou muitos jogos criativos”, uma descrição que parece modesta diante da influência que o estúdio teve sobre a indústria como um todo, com títulos como Gravity Rush, Astro Bot e Shadow of the Colossus.
Segundo o ex-executivo, o fechamento aconteceu porque a PlayStation estava “lentamente migrando para jogos AAA no PS4 e no PS5”, e escalar produções menores dentro desse novo padrão se mostrou difícil. Yoshida completou dizendo que, embora a Japan Studio tivesse muitas ideias criativas, os jogos produzidos pelo time “não tinham grande escala” se comparados a exclusivos como Uncharted, The Last of Us e God of War (2018).
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PlayStation Vita como refúgio para jogos de menor escala

Yoshida chegou a afirmar que “o que chamamos de jogos AA eram perfeitos para o PlayStation Vita“, handheld da companhia na época, sugerindo que a PlayStation via o escopo menor dos projetos da Japan Studio como algo mais adequado a um portátil do que aos consoles principais da marca. Ele também disse que era “difícil para a Japan Studio lançar uma nova franquia no console”, reforçando essa visão interna da empresa sobre escala e prioridade comercial.
Ao final da palestra, Yoshida recomendou que os fãs acompanhassem os projetos atuais de ex-desenvolvedores da Japan Studio, citando jogos como Slitterhead e Ratatan, e sugeriu que muitos desses projetos tiveram mais chance de sair do papel fora da Sony, em ambientes onde escopo e escala não entravam em conflito.
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Jogos AA vivem momento de alta demanda no mercado

A declaração de Yoshida ganha um contexto irônico diante do momento atual da indústria. Nos últimos anos, jogos de escala menor voltaram a ganhar força entre os jogadores, com títulos como Clair Obscur: Expedition 33, Hollow Knight: Silksong e Blue Prince conquistando tanto sucesso comercial quanto aclamação da crítica, muitas vezes com direção mais enxuta e ideias criativas fortes, características que lembram justamente o legado da Japan Studio.
Enquanto isso, a própria Sony enfrentou perdas bilionárias com apostas em jogos como serviço de grande escala, incluindo prejuízos relacionados a Destiny 2 e o fracasso comercial de Concord. Esse cenário reforça a visão de que a estratégia adotada à época pode ter sido míope, mesmo levando em conta a lógica comercial que orientava as decisões da PlayStation naquele momento.
O que isso significa para o público brasileiro

Para os fãs brasileiros, que historicamente adotaram títulos como Shadow of the Colossus como referência de jogo autoral dentro do catálogo PlayStation, a fala de Yoshida reforça uma frustração antiga: a de que o mercado nacional, com poder de compra mais sensível ao preço, se beneficiaria justamente de jogos AA mais acessíveis, em vez da concentração cada vez maior em títulos AAA de US$ 80, cifra que já pesa bastante no bolso do consumidor brasileiro na conversão para Reais.
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Fonte: comicbook







