Apostas digitais: novas regras de mídia e o futuro do streaming

CONAR credencia influenciadores, o Senado avança contra propaganda de bets e mais de 56 mil sites ilegais já saíram do ar. Veja o que muda para gamers e streame

Por:
Luis Andrade - Dono do Portal Viciados
PC Gamer streaming streamer cadeira gaming RTX 2027
Arena de esports com cadeiras gamer, monitores e iluminação RGB colorida.

Um costume antigo das marcas é se associarem a famosos ou times populares, por meio de patrocínios, para compartilharem da fama e autoridade perante os consumidores. As casas de apostas utilizam essa estratégia no Brasil, patrocinando times de futebol, vôlei e também eSports.

O apoio a competições grandes, porém, é só a ponta mais visível dessa estratégia. Ela também aparece dentro do próprio conteúdo, em chats, telões de torneio e vídeos de criadores, sem regras claras até então sobre o que podia aparecer na tela. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) e o Governo Federal decidiram fechar esse vácuo em agosto de 2026.

Como as apostas se integraram ao ecossistema gamer e de streaming

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A BetBoom fechou parceria também com a Tribo, grupo de criadores de CS2 apontado como o maior do Brasil, formado por ApokA, Michel, Liminha, BT e Velho Vamp. A H2bet seguiu caminho semelhante ao patrocinar a organização de eSports LOUD e trazer o streamer Victor “Coringa” Augusto como embaixador da marca.

Essas marcas de apostas esportivas se associam ao universo gamer da mesma forma que outras se associam ao futebol. Elas fazem ativações com a torcida, disponibilizam mercados especiais e ofertas utilizando os times que patrocinam.

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Assim, quem acompanha as transmissões de eSports direto nas plataformas de apostas vê odds de handicap ou de over/under, o catálogo do cassino online, bônus e giros grátis ao lado das cotações esportivas. Desse modo, essa dinâmica integra o espectador diretamente no ambiente da empresa.

Esse nível de exposição atingiu um público majoritariamente jovem e nativo digital, o que levou a discussões e fez o CONAR reforçar suas regras depois da Copa do Mundo de 2026, quando as menções a apostas em conteúdo de influenciadores dispararam.

E com tantas novas regras publicadas, o espectador precisa encontrar as informações mais confiáveis sobre a regulamentação dos bônus sem depósito ou quais plataformas oferecem promoções, por exemplo. 

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As novas regras do CONAR para criadores de conteúdo

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Em 27 de agosto de 2026, o Conselho de Conteúdo do CONAR aprovou alterações no Anexo X e um novo Quadro de Autorregulação da Publicidade de Apostas. O texto responde a pedidos da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e da Secretaria de Políticas Digitais da SECOM, com foco em influenciadores digitais e afiliados.

As novas regras criam um programa de credenciamento para influenciadores autorizados a divulgar apostas, com monitoramento contínuo dos posts publicados por credenciados e afiliados. O checklist de proteção a crianças e adolescentes limita elementos de apelo infantil, como animais humanizados, e restringe esse recurso aos canais próprios das operadoras, com verificação de idade ativa.

A atualização das diretrizes de publicidade para apostas também exige que atores de campanhas do setor tenham e aparentem ter mais de 21 anos. Marcas e agências têm 30 dias, contados da publicação, para se adequar.

O combate às plataformas ilegais e a segurança dos gamers

A mesma ambiguidade que confundia o público sobre o que era publicidade abriu espaço para operadores sem licença se misturarem no mesmo universo de conteúdo. Mais de 56 mil sites de apostas ilegais já saíram do ar no Brasil desde o início da ofensiva federal, e para Daniele Cardoso, secretária da SPA, o combate ao mercado ilegal e a prevenção a fraudes seguem como prioridade da pasta.

Esses operadores ilegais miram o mesmo público que consome games, com mecânicas de fidelidade e recompensas para prender o jogador dentro do aplicativo. Sem licença, esse tipo de operador deixa o público gamer ainda mais exposto a fraudes e a vazamento de dados.

O Congresso Nacional também busca limitar o raio de operação das bets, já havendo um Projeto de Lei em tramitação que busca vetar anúncios de apostas em TV, rádio, redes sociais e serviços de streaming, além de proibir patrocínio a influenciadores digitais, atletas e clubes.

A proposta também tipifica como crime publicitar ou intermediar publicidade de sites de apostas ilegais. A pena vai de 1 a 5 anos e chega a quase 9 anos quando o autor é pessoa publicamente conhecida.

O futuro da monetização no streaming e nos games

Para criadores e organizações de eSports, o cenário deixou de comportar acordos fechados sem checagem prévia de compliance. Operadoras que patrocinam torneios de CS2 ou canais de streaming agora precisam comprovar, em cada post, que o influenciador está credenciado e que a peça segue o checklist etário do CONAR.

Quem anunciar fora dessas regras responderá no Conselho de Ética do CONAR. O órgão já instaurou mais de 160 representações sobre publicidade de apostas, a maioria delas já julgada.

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Dono do Portal Viciados
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Luis Andrade é Jornalista, Administrador e Editor-Chefe do Portal Viciados. Com mais de 15 anos de experiência na indústria de jogos, especializou-se na cobertura da Rockstar Games e da franquia Grand Theft Auto (GTA).Além de focar em jogos de mundo aberto, Luis cobre os ecossistemas PlayStation e Xbox Game Pass. Siga-o no Twitter/X [@lumijean] para análises de mercado e furos de reportagem.