A polêmica transição para um ecossistema 100% digital por parte da Sony e PlayStation está prestes a fazer uma grande vítima: o mercado de jogos usados.
Segundo especialistas da indústria, a estratégia da Sony de abandonar gradualmente os suportes físicos terá um impacto irreversível na revenda de games.
Atualmente, o mercado de usados movimenta impressionantes US$ 7 bilhões anuais. De acordo com projeções da agência Dataintelo, esse número tinha potencial para chegar a quase US$ 14 bilhões até 2034. No entanto, com a atual direção da indústria, essa marca dificilmente será alcançada.
O inevitável fim das mídias físicas no PlayStation

Para Kazunori Ito, diretor de pesquisa da Morningstar, a postura da Sony trará consequências graves para o varejo, forçando um encolhimento do mercado de usados até o seu completo desaparecimento.
Essa visão é compartilhada por Michael Pachter, diretor da Wedbush Securities. “A venda de videogames em lojas físicas está destinada a desaparecer”, cravou o analista, ressaltando que, historicamente, um terço de todas as cópias de jogos vendidas vinham justamente das prateleiras de usados.

E os números recentes confirmam esse cenário: segundo relatórios de 2026, apenas sete jogos de PlayStation conseguiram ultrapassar a marca de 100.000 cópias físicas vendidas no ano.
Apesar das críticas direcionadas à Sony pela busca de maiores margens de lucro na distribuição online, o analista Mat Piscatella lembra que foram os próprios usuários que ditaram essa tendência no PlayStation.
A conveniência e as frequentes e agressivas promoções nas lojas digitais empurraram o público para longe das caixinhas.

Piers Harding-Rolls, da Ampere, ilustrou essa mudança de hábito com dados contundentes. No lançamento do PS4, em 2013, as vendas digitais representavam apenas 13% do total. Já em 2025, essa fatia disparou para quase 80%, uma nova realidade que já domina as bibliotecas, seja no PS5 padrão ou no recém-lançado PS5 Pro.
“O console é o último verdadeiro bastião dos suportes físicos nos videogames, mas a importância desse formato continua caindo”, explicou Harding-Rolls.

A transição levanta debates acalorados entre os jogadores do PlayStation. As principais preocupações envolvem a liberdade de escolha do consumidor, a impossibilidade de emprestar ou revender títulos, o futuro do colecionismo e, principalmente, a preservação da história dos videogames.
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