Mais uma vez, GTA 6 (Grand Theft Auto VI) virou refém de fake news impulsionadas pelo próprio Google.
Desta vez, um site automatizado chamado M/i/x/V/a/l/e passou a divulgar que a Rockstar Games teria confirmado oficialmente um novo adiamento do jogo. Isso simplesmente não é verdade.

O texto em questão não passa de uma reciclagem de uma outra recente fake news. Nada ali é novo, nada foi confirmado e, mais importante, nenhum adiamento oficial de GTA 6 foi anunciado.
Conteúdo feito por IA, sem curadoria e sem responsabilidade

O padrão já é conhecido. Portais feitos com IA, traduzidos para vários idiomas, sem curadoria humana e sem compromisso com a verdade, somente pelo clique. A inteligência artificial cruza dados reais com invenções e cria uma narrativa falsa, mas convincente o suficiente para enganar leitores e, pior, os sistemas do Google.
O mais grave é que essa fake news chegou a ser destacada e distribuída, inclusive por notificações e Google Discover. Enquanto isso, sites que fazem cobertura séria, checam fontes e constroem autoridade ficam competindo em desvantagem.

No Portal Viciados, recebemos mensagens diretas de leitores preocupados, perguntando se o adiamento era real. Esse é o impacto direto desse tipo de conteúdo.
O problema vai além de GTA 6

Nos bastidores do jornalismo de games, o desconforto é real. Em grupos privados do WhatsApp que reúnem publishers brasileiros, o caso desse tipo de site automatizado já é tratado como um problema.
Editores, redatores e donos de portais relatam perda de alcance, quedas no Discover e concorrência desleal com conteúdos gerados em escala industrial por IA sem qualquer curadoria humana.

Se hoje uma fake news sobre GTA 6 consegue viralizar, receber push e ocupar destaque no Google, amanhã o mesmo modelo pode ser usado para temas sensíveis como saúde e eleições, justamente em um ano eleitoral no Brasil.

Do mesmo modo, a crítica central não é contra o uso de inteligência artificial, mas contra a ausência total de responsabilidade editorial, checagem de fatos e assinatura humana, algo que o Google tanto apregoa.
O sentimento entre jornalistas e redatores é claro: quem trabalha com apuração, fontes, contexto e ética não pode competir com sites que apenas reciclam dados, misturam especulação e publicam manchetes falsas para ganhar cliques.

Para muitos profissionais, o Google precisa agir com mais rigor, diferenciando jornalismo de verdade de conteúdo automatizado oportunista, sem penalizar quem constrói autoridade ao longo de anos.
Alertar o público é essencial, mas pressionar o Google por mudanças é urgente. Jornalismo não pode ser derrotado por fazendas de conteúdo automatizado. Se isso virar regra, a pergunta é simples: para que existir sites? Basta ir direto para um chatbot de IA!
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